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  • Edwy Plenel: “O monopólio da mídia é a morte”

    Da Redação em 15 de Maio de 2018    Informar erro
    A Aliança Francesa recebeu Edwy Plenel, fundador do Mediapart, para a palestra "Jornalismo independente e democracia", por ocasião dos 50 anos do movimento Maio de 68. Plenel é ex diretor de redação do “Le Monde” e fundador do jornal independente francês “Mediapart”, um jornal digital com 150 mil assinantes. Na ocasião, o jornalista falou com exclusividade para o jornal Bafafá. Confira:
     
    Como funciona a Midiapart?
    Na Midipart fizemos um laboratório de um jornal que sobrevive só de assinaturas digitais, sem publicidade ou subvenções do estado. É um jornal participativo e comprometido com a sociedade e que valoriza o jornalista e a reportagem exclusiva. Respeitando o direito de saber dos leitores, ajudando-os a terem informações confiáveis. Independente, sem interesses privados. Queremos defender o valor da informação. Fomos pioneiros no mundo de fazer um jornal digital de assinatura. Deu certo. Midipart é uma empresa bem sucedida que está no centro do debate público na França. Temos uma folha salarial de 80 pessoas, 150 mil assinantes e 4,5 milhões de leitores por mês. Nossos leitores superam três vezes os leitores do Liberatión e são metade dos leitores do Le Monde.
     
    Para onde caminha a comunicação?
    A comunicação é um campo de batalha que pode nos levar a uma regressão. A propaganda, a mentira, o poder econômico vão corromper a qualidade do debate público. Ou o inverso: nós podemos ser capazes de inventar a revolução digital. O fato de podermos comunicar sem fronteiras seria um aprofundamento das democracias. Numa revolução tecnológica como a digital, enfraquece um pouco as grandes mídias que vivem uma crise de confiança e até econômica. Se ficam fracas, viram alvos fáceis de para interesses de fora da informação. Na França, as grandes mídias privadas são controladas por empresas que não tem nenhum vínculo com o jornalismo, entre elas, bancos, indústrias e até de fabricantes de armas. Se compram as empresas de comunicação é para evidentemente elas não incomodarem seus interesses. É uma batalha. Nós, jornalistas, não podemos ficar de braços cruzados. Temos que lutar.
     
    A mídia digital é definitiva?
    O digital é a terceira revolução industrial do mundo. A primeira foi a máquina a vapor. A segunda a eletricidade. O digital é uma transformação sem precedentes, pois é uma comunicação horizontal, sem fronteiras. No entanto, têm de estar protegida, pois as revelações de Snowden mostram o contrário. Temos que proteger também a mídia digital dos interesses meramente mercadológicos. Basta ver o escândalo do Facebook e o algoritmo que invadiu a privacidade de mais de um milhão de usuários. Temos que ter um ecossistema democrático da informação. Passa pela defesa da neutralidade do digital, não pode ser controlado pelos estados ou multinacionais e pelo conteúdo. Isso é nossa responsabilidade dos jornalistas.
     
    Qual é o futuro do jornalismo?
    O jornalismo é um direito fundamental dos cidadãos. Mais importante até que o voto. O direito de saber. Sem informação eu posso votar no meu pior inimigo. Nós estamos a serviço do direito à informação. Temos que ter mídias independentes e evitar concentração em grandes grupos de comunicação. O monopólio da mídia é a morte!
     
    Entrevista concedida ao editor do Bafafá, Ricardo Rabelo. Maio de 2018
     

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