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  • Leonardo Boff: O impeachment é uma vergonha

    Da Redação em 07 de Maio de 2016

    Genézio Darci Boff, mais conhecido com o pseudônimo de Leonardo Boff, é teólogo, escritor e professor universitário, expoente da Teologia da Libertação no Brasil e conhecido internacionalmente por sua defesa dos direitos dos pobres e excluídos. Nascido em Concórdia, Santa Catarina, em 14 de dezembro de 1938, é um dos principais pensadores de esquerda no país e defensor de uma nova ordem ecológica mundial.
    Ex-membro da Ordem dos Frades Menores (franciscanos) e atualmente professor emérito de Ética, Filosofia da Religião e Ecologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Leonardo Boff fala com exclusividade ao Bafafá. Segundo ele, o impeachment de Dilma é um jogo de cartas marcadas. “Pareciam moleques brincando numa praça”. Para ele, se Temer chegar à presidência será a perpetuação da crise. “Temer é um fraco, um vaidoso que cometeu crime de sedição, pelo qual deveria ser julgado”, fuzila.

    Como viu a vitória do impeachment na Câmara dos Deputados?

    Vi o impeachment com tristeza e vergonha pelo baixo comportamento dos deputados. Ninguém julgou os dois pontos que constituíam a acusação. Somente se ativeram ao discurso moralista da corrupção, sabendo que grande parte deles são corruptos. As cartas já estavam marcadas e o resultado só poderia ser a aceitação da admissibilidade do impedimento.

    O que achou do nível dos parlamentares que votaram a favor?

    Pareciam moleques brincando numa praça, sem qualquer sentido da gravidade do que estavam votando: a eventual destituição da mais alta autoridade do país.

    A opção foi pelo "fim justifica os meios"?

    Nem podemos falar de opção. Era um vale tudo. Muitos traíram e o pior deles foi o Kassab que era ministro e pouco antes estivera com a Presidenta. Ele mostra a falta de caráter do partido oportunista que fundou e do parlamento em geral.

    Um eventual governo Temer vai conseguir governar?

    Temer é um fraco, um vaidoso que cometeu crime de sedição, pelo qual deveria ser julgado. Não tem credibilidade e grande rejeição popular. Se for presidente será a perpetuação da crise. Mas para ele o que importa é que um dia na história ocupou a presidência sem se perguntar pela qualidade de seu exercício.

    Qual é o caminho para as forças progressistas?

    Não resta outro caminho senão resistir e reivindicar permanentemente a democracia. E lutar para que, caso Dilma passe pelo Senado, volte a governar com uma clara inflexão para a esquerda. A Presidência deve ser de coalizão menos com os partidos, mais com os movimentos sociais. Dai pode surgir uma qualidade nova da democracia, a democracia participativa que completa a representativa.

    Qual é o recado para os movimentos sociais?

    Os movimentos sociais devem ocupar as ruas e praças, organizar discussões permanentes com convidados de fora e de dentro e pressionando os parlamentares para que deixem de ser moucos e corruptos. Devem aproveitar a crise para aprofundar a questão “que Brasil queremos”. Esse que está aí não pode mais continuar, mesmo sendo do PT. Este deve se renovar a partir de onde nasceu, das bases populares. Queremos um Brasil-sociedade e não um Brasil-negociatas.

    Acredita em alguma reação do STF?

    Tenho sérias suspeitas da isenção do STF. Ele se mostrou omisso ao não julgar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha já réu de vários crimes e por ter submetido o Brasil nacional e internacionalmente à vergonha de um gangster organizar o julgamento de uma pessoa honrada. Talvez o próprio STF tema a delação premiada de Cunha, pois não é excluída a possibilidade de envolver algum magistrado desta mais alta corte do país uma vez que a corrupção campeia em todas as instâncias.

    Abril de 2016
    Entrevista concedida ao editor do Bafafá Ricardo Rabelo



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