Natural de Araraquara e criada na capital paulista, Vó Jacy conhece o carnaval carioca desde 1949, através de um tio, frequentando bailes infantis e coretos. Em 1957, se muda para a Cidade Maravilhosa depois de casar. Como o marido não deixava ela brincar, só redescobriu a folia depois de viúva, em 2006, frequentando o Cordão do Prata Preta, na Saúde, que ela conheceu no então “Orkut” e onde se tornou a “madrinha” da agremiação.
Aos 82 anos, Vó Jacy apresenta uma disposição incrível e chega a brincar em seis agremiações diferentes, entre elas, Escravos da Mauá, Santinhas da Conceição e Sambamantes que saem na área portuária e no Largo do Machado, Mas Não Largo do Copo, no Catete.
“Gosto de todos, mas meu querido é o Prata Preta onde posso brincar sem ninguém para me mandar”, conta Vó Jacy. Moradora do Andaraí, nem se incomoda de pegar condução para comparecer. Ele é acompanhada pelos netos. “Antes eu bebia duas caipirinhas antes de sair de casa, mas de um ano para cá parei porque tenho tontura”.
Ela conta que chegava a ir a dois blocos por dia, mas que agora está comedida. “No Prata Preta nem subo mais a ladeira”. Saudosista, ela afirma gostar mais de marchinhas. “Daquelas dos tempos antigos, da Emilinha Borba”.
Interessante é que ela faz questão de se fantasiar. Já saiu de “viúva da ditadura”, cangaceira, camponesa russa e em 2019, quando o Prata homenageou o Pasquim, de jornaleira vendendo o semanário.
Se tem uma dica para brincar carnaval no Rio, não titubeia: “Não gosto de bloco-show, gosto mesmo de marchinhas e samba”. Que fique a voz da sabedoria!