O Bloco Bafafá nasceu no Posto 9 da Praia de Ipanema, em 2003, quando o carnaval de rua do Rio ainda vivia um período de baixa, com poucos blocos e foliões espalhados pela cidade. A ideia surgiu de um grupo de amigos na praia, mas foi o jornalista Ricardo Rabelo quem deu o passo decisivo: contratou músicos do Cordão da Bola Preta e transformou a brincadeira despretensiosa em um bloco de verdade.
Com o renascimento do carnaval de rua, o Bafafá — que acontecia na areia ao pôr do sol, naquele cenário tão carioca — cresceu rapidamente e deixou de ser um encontro de amigos para receber mais de 20 mil foliões a cada edição. O sucesso foi tamanho que, para preservar o clima familiar e a tradição dos primeiros anos, o bloco precisou se reinventar.
Em 2020, o Bafafá encontrou seu novo lar na Praça São Salvador, em Laranjeiras, onde realiza uma grande celebração com os músicos do Cordão da Bola Preta, o DJ Franz e sempre um convidado especial, mantendo a festa viva por mais de quatro horas.
Hoje, a programação começa com o Bafafinha, um bailinho infantil que conquista todas as idades. Além das marchinhas e músicas adaptadas para o público mirim, as crianças recebem bolinhas de sabão, giz e instrumentos musicais artesanais feitos a partir de materiais reciclados — diversão consciente e sem poluição, como o carnaval deveria ser.
O Bloco Bafafá é uma festa parada, organizada para garantir segurança e conforto para todas as idades. Acontece sempre no sábado após o carnaval, com um repertório tradicional que reverencia as raízes da folia: sambas, marchinhas, frevos e clássicos da MPB em ritmo de carnaval.
A história do Bafafá também é marcada pela música. Nosso padrinho, João Roberto Kelly, nos presenteou com a marchinha “Bafafá de Ipanema”. Grandes mestres como Noca da Portela, com parceiros como Dr. Roberto Medronho e outros compositores, criaram sambas especiais para o bloco — entre eles “Mamãe me dá a Chupeta” (2014) e “Cadê o Meu?” (2016). O mais recente é o samba “Vou Abafar no Bafafá”, composto por Lula Dias, poeta, escritor, compositor e presidente do tradicional bloco “Largo do Machado, Mas Não Largo do Copo”.
Outra tradição que enche o Bafafá de orgulho são suas camisetas, verdadeiras obras de arte. Grandes nomes das artes visuais já assinaram as estampas ao longo dos anos: Ziraldo, Aroeira, Jaguar, Lan, Liberati, Mariana Massarani, Miguel Paiva, entre muitos outros. A camiseta de 2013, ilustrada por Miguel Paiva, recebeu inclusive um prêmio do jornal O Globo.
Em maio de 2023, o Bloco Bafafá recebeu uma Moção da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, reconhecendo sua contribuição para a valorização da cultura popular carioca — um orgulho para todos que fazem parte dessa história.
Nosso objetivo é manter essa cultura popular viva para todas as gerações, priorizando sempre o respeito, a segurança de todos e a diversão.