Pela primeira vez em sua trajetória, o tradicional bloco das Carmelitas interrompeu o desfile em Santa Teresa. O cortejo havia saído das imediações do Bar do Serginho em direção ao Largo do Curvelo quando precisou parar diante da grande concentração de ambulantes ao longo do trajeto.
Segundo relatos de integrantes, nem mesmo os pedidos da direção do bloco foram suficientes para liberar passagem. A superlotação agravou o cenário e a decisão foi encerrar o desfile antes do previsto. A imagem da bateria se retirando, sem concluir o percurso, sintetizou o clima de frustração.
O episódio reacende um debate recorrente sobre ordenamento urbano no carnaval de rua. A presença descontrolada de ambulantes no eixo de circulação dos blocos — e não apenas na retaguarda — compromete mobilidade, segurança e logística. Soma-se a isso a percepção, compartilhada por organizadores, de baixa presença operacional da Guarda Municipal ao longo dos percursos. Trata-se de um problema crônico, ainda sem solução efetiva.
O caso também gera apreensão diante da informação de que o bloco Bafo da Onça transferiu seu desfile para Santa Teresa. O bairro, já pressionado por intensa programação carnavalesca, enfrenta sinais claros de saturação. A ampliação do calendário sem planejamento proporcional de infraestrutura tende a tensionar ainda mais o território.
O que ocorreu com as Carmelitas evidencia a necessidade de revisão imediata dos protocolos de organização: delimitação rigorosa de áreas para ambulantes, controle de fluxo, reforço de agentes públicos e reavaliação da concentração de blocos em regiões sensíveis. Antes que episódios como o deste ano se repitam — ou resultem em consequências mais graves — uma resposta rápida e coordenada do poder público se impõe.