A temporada de pré-carnaval nas ruas do Rio de Janeiro começou sob um alerta que cresce a cada fim de semana: a sensação de insegurança nos blocos de rua.
Fora do circuito das grandes agremiações, blocos médios e pequenos relatam ausência de policiamento e aumento de ocorrências, cenário que preocupa foliões e organizadores.
Em diversos pontos do Centro e de bairros da Zona Sul e Zona Norte, participantes relatam furtos e arrastões ocorrendo durante o dia, em meio às multidões. A falta de policiamento ostensivo facilita a ação de grupos que aproveitam a dispersão e a falta de controle para atacar foliões e levar celulares, bolsas e outros pertences.
Além dos furtos, relatos de agressões físicas também se tornaram frequentes. Mulheres e homens afirmam ter sido atacados ao reagir às tentativas de roubo ou ao tentar proteger amigos e familiares. Em redes sociais e grupos de blocos, vídeos e depoimentos mostram correria e pânico em meio à festa.
A consequência começa a aparecer na frequência do público. Muitos foliões dizem estar desistindo de ir aos blocos, especialmente no Centro, apontando a ausência da Polícia Militar e a falta de presença visível da Guarda Municipal. Segundo frequentadores, a maior concentração de efetivo tem sido destinada à Marquês de Sapucaí e aos grandes eventos oficiais, deixando parte da programação de rua sem cobertura adequada.
Organizadores de blocos também manifestam preocupação. Muitos afirmam que pedidos de apoio e planejamento de segurança não têm sido suficientes para garantir policiamento preventivo e ostensivo, essencial para evitar crimes e garantir circulação segura dos foliões.
A questão que circula entre produtores culturais, foliões e moradores é direta: qual é o planejamento de segurança para o carnaval de rua? Se os problemas já aparecem no pré-carnaval, cresce o temor de que, durante os dias oficiais de folia, áreas tradicionais de concentração se tornem território de ação constante de ladrões e grupos especializados em furtos.
O carnaval de rua é um dos principais eventos culturais e turísticos da cidade e depende de organização e segurança para continuar atraindo público. Sem isso, cresce o risco de esvaziamento de blocos tradicionais e perda de confiança do público em ocupar os espaços públicos durante a festa.
“Eu sempre fui a blocos de rua, mas este ano estou com medo. Vi gente sendo roubada em plena luz do dia e ninguém por perto para ajudar. Carnaval é para ser alegria, não tensão", diz a foliã Fernanda Souza.
“Os blocos menores também fazem parte do carnaval e precisam de segurança. Sem policiamento, quem perde é o público e a própria festa, que vai ficando esvaziada", reforça Marcos Oliveira, organizador de bloco de rua.
A presidenta da Sebastiana, liga de blocos de rua do Rio, apela para as autoridades. "A Sebastiana espera que os órgãos de segurança, tanto do Estado quanto do município, façam um planejamento mais assertivo para o pré Carnaval e o carnaval. Estamos atentos e aguardando as providências necessárias para que os desfiles aconteçam na maior paz possível e dentro de uma normalidade que o Carnaval do Rio merece", conclui Rita.
A PM prefere culpar os blocos não oficiais. A corporação afirma que o planejamento de segurança é feito com base na agenda oficial do carnaval e orientou que os foliões evitem eventos sem organização reconhecida.
Fica a pergunta que ecoa entre foliões e organizadores: a Polícia Militar vai reforçar o policiamento e adotar medidas para conter a violência nos blocos oficiais e não-oficiais ou vai esperar que episódios mais graves aconteçam?
Sem ações efetivas, além de esvaziar a folia, a situação pode provocar prejuízo para o carnaval carioca, afastando turistas brasileiros e estrangeiros e comprometendo uma das principais atividades culturais e econômicas da cidade.