Tendo como premissa a milonga “Alfonsina y el mar” (Ariel Ramirez\Felix Luna), em homenagem à poetisa radicada argentina Alfonsina Storni (1892-1938), o espetáculo Debaixo d’água une o flamenco à dança contemporânea em coreografias com forte carga poética para tratar das agruras enfrentadas na pandemia e das transformações provocadas nas nossas vidas.
Teatros foram fechados e apresentações, suspensas. As bailarinas Tatiana Bittencourt, Ivna Messina e o guitarrista Luciano Câmara, que formam o Olé Trio, viram-se confinados nas suas casas e obrigados a reavaliar as relações com seus ofícios. O fôlego – e a falta dele – permearam uma intensa troca de ideias e mensagens entre os amigos.
Elas motivaram pesquisas que suscitaram improvisos que, por sua vez, geraram vídeos. De forma remota, uma proposta foi ganhando corpo – e fôlego. Outros bailarinos foram convidados a se juntar à trinca, uma trilha sonora foi criada e algo veio à tona.
Esse algo é o espetáculo Debaixo D’água, que une a arte flamenca à dança contemporânea e que, após estrear na Sala Municipal Baden Powell em 2022, volta ao Rio de Janeiro.
A dança flamenca espalhou-se pelo mundo e não é mais uma manifestação regional ou patrimonial da Espanha. O Flamenco é hoje Patrimônio Imaterial da Humanidade e tem fortes ramificações no Brasil. Uma delas é no Olé Trio, formado em 2019 por amigos de longa data.
O diálogo entre a tradição e o contemporâneo permeia desde sempre os pensamentos da trinca e faz-se presente em Debaixo D’água. A reviravolta causada pela covid no mundo favoreceu ainda mais essa mistura. A eles juntaram-se os bailarinos Andressa Abrantes, Edney D’Conti e Israel Valdés.
Avançadas as pesquisas, juntam-se ao grupo os músicos Mariana Zwarg (flauta) e Lourenço Vasconcelos (percussão) que acompanham Luciano Camara (violão) nas execuções e nos arranjos, criados por ele.
A sensação de sufocamento provocada por esses tempos sombrios surge através das diferentes linguagens exploradas em Debaixo D’água. No palco vazio é colocada à prova a relação entre o ser humano e um mundo submerso, que pode ser fascinante e ao mesmo tempo assustador, ora profundo e escuro, ora colorido e luminoso.
De um lado a passionalidade e a explosão do flamenco em contraponto à suavidade e subjetividade da dança contemporânea. E o resultado é um gênero híbrido que não esconde as características dos estilos a partir dos quais se originou. Olé!
Direção Geral: Tatiana Bittencourt
Assistente de Direção: Ivna Messina
Direção Musical: Luciano Camara
Coreografias e bailarinos: Andressa Abrantes, Edney D’Conti, Israel Valdés, Ivna Messina e
Tatiana Bittencourt
Músicos: Luciano Camara (violão flamenco, composição e arranjos), Mariana Zwarg (flauta),
Lourenço Vasconcelos (percussão)
Figurino: Patrícia Muniz
Assistente de figurino: Thiago Menezes
Iluminação e Operação de Luz: Rafael Turatti
Montagem de luz: Wladimir Alves Fernandes
Desenho de Som e Operação de Som: Raquel Brandi
Fotografia: Dalton Valério
Programação Visual: Cacau Gondomar
Assessoria de Imprensa: Christovam de Chevalier
Direção de Produção: Aline Carrocino (Alce Produções)
Produção Executiva e Mídias Sociais: Igor Veloso
Realização: Bárbaras Produções
Duração: 60 minutos
Classificação livre