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  • Festival de dança O Corpo Negro: 60 atrações gratuitas em nove municípios do Rio

    Da Redação em 25 de Abril de 2024    Informar erro
    Festival de dança O Corpo Negro: 60 atrações gratuitas em nove municípios do Rio

    Serão mais de 60 atrações gratuitas, em 9 municípios do estado, com espetáculos de dança, shows, mostra audiovisual, oficinas e debates Foto: Maurício Maia

    Local: Festival de dança O Corpo Negro
    O festival de dança O Corpo Negro, um dos maiores do gênero no país, começa no próximo domingo, 28 de abril – véspera do Dia Mundial da Dança – com uma performance na Praia de Copacabana.
     
    O evento, realizado pelo Sesc RJ, chega a sua quarta edição com espetáculos criados e executados por artistas negros e negras, selecionados por um edital afirmativo.
     
    Serão mais de 60 atrações gratuitas, em 9 municípios do estado, com espetáculos de dança, shows, mostra audiovisual, oficinas e debates, ao longo de um mês.
     
    A programação se estenderá até 31 de maio nas cidades do Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Nova Iguaçu, Barra Mansa, Volta Redonda, Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis.
     
    Os espetáculos serão apresentados em unidades do Sesc RJ, escolas e universidades e espaços públicos, que vão receber obras de 32 grupos, oriundos dos estados do Rio de Janeiro, da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão e São Paulo.
     
    Todas as atividades são gratuitas, com a retirada dos ingressos nos espaços com lotação limitada. Confira a programação detalhada no site www.ocorponegro.com.br
     
    “Nesta quarta edição, o projeto apresenta vogue, funk, afro, hip hop, samba, charme e outros gêneros. O Sesc RJ reafirma o seu compromisso com a pluralidade e com o protagonismo negro na dança, em todas as suas dimensões, diversidade e repertórios. Procuramos garantir políticas culturais com continuidade e consistência, visando possibilitar o crescimento de uma sociedade consciente e atuante, que busque relações étnico-raciais em bases justas e equânimes”, afirma André Gracindo, analista técnico de Artes Cênicas do Sesc RJ.
     
    Dia Mundial da Dança – Uma performance na praia de Copacabana vai marcar o início do festival. Neste domingo (28/4), às 16h, o grupo DeBonde vai ocupar o calçadão, na altura da Rua Figueiredo de Magalhães, com o espetáculo “Debandada”, uma intervenção que atravessa e é atravessada pela rua. Seis dançarinos com suas potencialidades e diferenças passam, arrastam, sustentam, rabiscam e ocupam os espaços urbanos, convidando o público a dançar.
     
    Noite de abertura – A abertura oficial do projeto acontecerá na próxima terça-feira (30/4), às 20h, no Sesc Tijuca. O evento contará com a presença dos artistas da programação, dos curadores convidados Diego Dantas, Gal Martins e Jaílson Lima, e do público em geral. Será uma noite em homenagem a Mestre Manoel Dionísio, criador da Escola de Mestres-salas, Porta-bandeiras e Porta-estandartes, no Rio de Janeiro, que forma novos bailarinos e preserva os repertórios da dança e do carnaval há mais de 30 anos.
     
    No encontro, também será lançado o documentário curta-metragem “Dionísio, um mestre”, realizado pela coreógrafa, diretora de teatro e realizadora audiovisual Carmen Luz.
     
    “O filme é uma oportunidade para que o público conheça o pensamento, a arte e a pedagogia de Mestre Manoel Dionísio e possa celebrar - como faz o filme - a sua existência, mas também, refletir sobre arte e resistência. É um filme que dá prosseguimento à minha pesquisa sobre o corpo negro criador e produtor de danças no Brasil. Tenho feito filmes sobre e com essa gente com G maiúsculo, num processo de escavação e proposição a fim de reescrever a história da dança, tão cheia de páginas em branco”, declarou Carmen Luz.
     
    O festival vai oferecer ao público 10 espetáculos inéditos, que saíram do papel por meio do edital lançado no ano passado pelo Sesc RJ para seleção da programação do evento. Entre as estreias nacionais, está “O Som do Morro”, no qual o coreógrafo carioca Patrick Carvalho narra a própria história. Entre os becos e vielas, o premiado bailarino apresenta seu jeito genuíno de coreografar.
     
    Outra estreia é a da performance “Vogue Funk”, que mistura baile funk com os elementos da cultura ballroom, trazendo a periferia negra e LGBTQ+ para o centro do palco. A história de personalidades da dança brasileira também está representada em “Isaura”, espetáculo idealizado e performado por Aline Valentim. O trabalho conta a história da bailarina, professora e coreógrafa Isaura de Assis, uma das grandes referências das danças negras no estado.
     
    Além das estreias, outros espetáculos que não estiveram nos palcos Rio de Janeiro serão recebidos pelo festival. Uma delas é a obra coreográfica “PADÊ”, de Djalma Moura, criador do Núcleo Ajeum, sediado na periferia de São Paulo. Na apresentação, os bailarinos são instigados a externalizar desejos e pulsões para criar uma dança ebó, que arrasta mazelas físicas, emocionais e espirituais que ainda corrompem meninos e meninas negras e induzem aos seus extermínios.
     
    Atrações para os pequenos - Pela primeira vez, o festival terá uma programação dedicada ao público infantil, concentrada no Sesc Tijuca. Entre os destaques, a estreia do espetáculo “A Menina Dança”, que com ritmos e danças africanas e cantigas apresenta a menina Maria Felipe, numa coreografia que aborda o enfrentamento à colonização do país. Outra estreia é o espetáculo “Gbin”, da Cia Xirê (RJ), que aborda matrizes afrodescendentes na cena da dança contemporânea.
     
    Embora a ênfase seja na dança, o festival O Corpo Negro terá uma programação paralela com música, filmes e outras atividades integradas. Haverá shows de música com Jonathan Ferr, um dos nomes mais celebrados da nova geração do jazz brasileiro, na abertura, além do dançante Baile Black Bom, e rodas de samba em várias unidades.
     
    A mostra audiovisual vai oferecer ao público mais de 65 sessões de filmes. Entre as obras, será exibido o documentário “Othelo, O Grande”, que aborda a vida e obra de um dos maiores atores e comediantes do Brasil, que rompeu barreiras imagináveis para um ator negro na primeira metade do século XX, trabalhando com nomes incontornáveis do cinema mundial.
     
    Também será exibido “Diálogos com Ruth de Souza”, que apresenta um rico material da vida de uma das grandes damas da dramaturgia nacional, a primeira artista brasileira indicada ao prêmio de melhor atriz em um festival internacional de cinema.
     
    O documentário de Ruth de Souza terá uma sessão de pré-estreia aberta ao público, no dia 8 de maio, às 19h, na Cinelândia, em frente ao Theatro Municipal, no Centro do Rio. A sessão de cinema gratuita e ao ar livre é organizada pelo CineSesc.
     
    O público infantil também terá sessões exclusivas durante o festival. Serão exibidos, em sequência, dois curtas: “Idu - O Astronauta Masaai”, que estreia na mostra do evento e narra as aventuras do personagem por mundos a partir de uma favela do Rio, e “Geração Alpha”, que apresenta Rebeca, uma menina apaixonada pela leitura que tenta convencer o vizinho e melhor amigo, Marcelo, a ler um livro.
     
    O festival promoverá ainda outras atividades, como debates e bate-papos, após todas as apresentações, oficinas de dança, intercâmbio entre artistas e uma jornada acadêmica, além da produção de artigos e ensaios.
     
    Encerramento – A programação audiovisual seguirá até 31 de maio, mas o evento de encerramento do festival vai ocorrer no dia 26 de maio, no Viaduto de Madureira, importante centro de concentração popular, na Zona Norte do Rio, que difunde a cultura negra, conhecido pelo tradicional Baile Charme. O encerramento iniciará às 14 horas, em parceria com o evento Wakanda in Madureira. Música, dança, literatura e empreendedorismo negro são a tônica deste encontro.
     
    “O corpo negro, sua presença, é estruturalmente sucateado pelo racismo. Portanto, colocá-lo em cena, protagonizando seus modos de pensar, sentir, criar, mover é fundamental na luta contra as produções de subalternidades. A produção de dignidade que passa pela valorização e afirmação desses profissionais faz parte do que é essencial naquilo que fazemos. Ter o Sesc RJ e o Wakanda juntos é uma alegria, é ter a oportunidade de potencializar nossas ações no caminho de um mundo mais diverso e produtor de dignidade para todos. Nossos deuses dançam!”, celebra Raymundo Jonathan, produtor de Wakanda in Madureira.
     
    Espetáculos de todo o país selecionados por edital afirmativo  
     
    As atrações do festival O Corpo Negro foram selecionadas, pelo segundo ano, por meio um edital público afirmativo de dança para todo o Brasil. Lançado no ano passado, foram destinados R$ 850 mil às produções. O projeto está tirando do papel 10 espetáculos de dança e 2 curtas-metragens, além de promover a circulação de artistas de outros estados por espaços no Rio de Janeiro. Para Diego Dantas, curador convidado desta edição, a diversidade e amplitude do edital é um dos pontos fortes do projeto.
     
    “É um acerto do Sesc RJ investir no corpo negro e em suas práticas de excelência em dança, oportunizando o desenvolvimento estético de agentes que souberam estruturar e manter suas presenças no projeto com escrita, autonomia e produção cênica de alto nível. São artistas com diferentes trajetórias, idades, vindos de territórios distintos fortalecendo e sendo fortalecidos, honrando os mais velhos e pessoas que vieram antes, construindo referências para os mais novos e pessoas que virão”, conclui o curador.
     
     


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