A Canoa Cia. de Dança faz três apresentações de Ícaro, sua nova obra autoral, no Teatro Cacilda Becker, palco carioca mais tradicional para a dança.
Na mitologia, Ícaro criou asas e escapou voando do labirinto onde se encontrava. Voou tão alto, a despeito do alerta de seu pai, que o sol derreteu suas asas, fazendo-o cair no mar. Seu corpo experimentou radicalmente a desorientação no labirinto, a liberdade no voo e a vulnerabilidade na queda. São esses três movimentos - o Labirinto, o Voo e a Queda – que a Canoa explora no novo trabalho.
No trabalho, criado pelo diretor e coreógrafo Vitor Cunha, em estreita colaboração com os bailarinos do elenco, a jornada de Ìcaro se aproxima da experiência corporal de todos nós na cidade.
Em cena, nove bailarinos “Ícaros”, corpos urbanos de todos os cantos do Rio de Janeiro, em percursos e coreografias que tratam da experiência labiríntica da cidade; do corpo coletivo em revoada e dos corpos que caem, quebram-se e mergulham em novos labirintos.
“Escolhi trabalhar a partir do mito de Ícaro porque o corpo é um elemento central nessa narrativa. O ponto de partida foi pensar a cidade como o grande labirinto em que nos encontramos imersos, onde nosso corpo experimenta diversos estados e está em constante interação com outros corpos”, conta Vitor.
O novo espetáculo, o primeiro da Canoa contemplado pelo Edital de Fomento à Cultura Carioca (FOCA), apostou no processo de criação itinerante.
Foto: Renato Mangolin/Divulgação