A Rua Barão de Jacuí, em Oswaldo Cruz, volta a se transformar em um grande cenário de arte, moda, cinema e samba. A segunda edição do Barão Festival celebra a criatividade e a potência cultural do subúrbio carioca, reafirmando o território como espaço legítimo de produção e fruição artística.
Idealizado pela cineasta Rossandra Leone, moradora do bairro e fundadora do projeto, o evento nasceu do desejo de mostrar que o subúrbio é centro de criação e não apenas um tema de inspiração. “O Barão Festival nasceu da vontade de reativar o território em sua potência, criar sensação de pertencimento e orgulho. É reparo, nostalgia e novas memórias”, resume Rossandra.
Depois do sucesso de sua estreia, quando reuniu mais de mil pessoas entre público, artistas e moradores, o festival amplia sua programação e se consolida como uma das principais plataformas de arte popular da Zona Norte.
A mostra de artes visuais reúne nomes como Andrey Sanches – artista suburbano, professor e tatuador – e Rute Santos (Musa), artista visual da Maré e destaque da Expo Favela 2025.
Na programação musical, o público vai curtir o som de PirigoDJ, que mistura black music, funk, rap, jazz e hip hop; Kalebe Nascimento, cantor e compositor que une soul, jazz e ritmos afro-brasileiros em uma sonoridade que ele define como “MPB — Música Preta Brasileira”; e a roda Batuque da Yves, comandada por Raphaela Yves, percussionista autodidata que forma um grupo só de mulheres sambistas.
O desfile de moda será assinado pela marca Borbolefly, conhecida pelo trabalho em high fashion upcycling, com peças criadas a partir da transformação de materiais reaproveitados. E o cinema exibe o curta “Samba no Trem”, de Zózimo Bulbul, registro histórico que liga a Central do Brasil a Oswaldo Cruz, lembrando as origens do Trem do Samba e a força ancestral do povo negro na cultura carioca.
Mais do que um festival, o Barão é um gesto de afirmação: o subúrbio cria, inventa e inspira. “Quando a gente chama o público de ‘nobreza’, é para ressignificar o olhar. Algo como: ‘vocês nos negaram a realeza, a gente criou a nossa’”, conclui Rossandra Leone.