Homenageado na 13ª Bienal da UNE, o antropólogo e fotógrafo Milton Guran denuncia em exposição o genocídio do povo Yanomami, na década de 1990, no Amazonas e em Roraima, no auge da invasão garimpeira
Guran abre na quinta-feira, 2 de fevereiro, na Fundição Progresso, a exposição-manifesto "Yanomami – Não ao garimpo ilegal". Cerca de 40 mil invasores levaram os Yanomami a um quadro de genocídio, com perda de cerca de 13% de sua população total. Sob forte pressão internacional e da sociedade civil brasileira, o governo, finalmente, demarcou o território Yanomami em 1992.
Hoje, 30 anos depois, a invasão garimpeira, fortemente recrudescida nos últimos anos, é maior e muito mais violenta, constituindo um quadro de genocídio ainda mais grave. A mostra abre a 13ª Bienal da UNE, a ser realizada de 2 a 5 de fevereiro, que este ano resolveu dar um destaque maior à fotografia escolhendo Guran como homenageado.
"Há trinta anos documentei o enfrentamento do povo Yanomami contra uma horda de mais de trinta mil garimpeiros, quando mais de 10% da população perdeu a vida. A pressão da sociedade civil brasileira e internacional levou o governo a decretar a demarcação da área e a criação da Terra Indígena Yanomami. Durante alguns anos a situação pareceu sob controle, mas no governo passado a invasão ilegal se tornou legal na prática, e chegamos a este estado de genocídio. Nesta exposição, resgato imagens da invasão de 1991 para enfatizar a luta do povo Yanomami pela sua própria sobrevivência", diz Guran.
Além da exposição documental, Milton Guran também coordena na Bienal da UNE um fórum de debates intitulado "Protagonismo e autorrepresentação" com os fotógrafos Pi Suruí e Mre Gavião da mídia Ninja e da APIB (Articulação dos Povos Indígenas), Thais Alvarenga e Francisco Valdean (Escola de Fotógrafos Populares / Imagens do Povo, com comentários de Ana Maria Mauad e Erika Tamke. no sábado, dia 4, das 14 às 17:30. Na ocasião haverá uma homenagem à fotógrafa Cláudia Andujar.
Sobre a exposição
YANOMAMI – Não ao garimpo ilegal - Fotos de Milton Guran
A exposição-manifesto é composta por imagens em preto e branco ambientadas em quatro módulos de 1,40m x 2m, cada um com dois painéis um de costas para o outro. Os painéis são em tecido Oxford impresso, com acabamento em baguete embaixo e encima e corte lateral a lazer, para não desfiar.
YANOMAMI – Não ao garimpo ilegal - Fotos de Milton Guran
Bienal de Cultura e Arte da UNE - de 02 a 05 de fevereiro de 3023.
Abertura: quarta-feira, 02 de fevereiro, às 13h
Exposição: quinta a domingo, 03 a 05 de fevereiro das 10 às 20h
Fundição Progresso, Rua dos Arcos, 24 a 50 – Centro