A menos de uma semana da chegada da Primavera, as flores já ocupam lugar de destaque no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, no Catete. Presentes em artigos de decoração, vestuário e acessórios, elas são algumas das referências que inspiram os bordados reunidos na exposição “Arte têxtil de Turmalina e Veredinha – Jequitinhonha, MG”, que será inaugurada nesta quinta-feira (17), às 17h, no Museu de Folclore Edison Carneiro.
A mostra é a 218ª edição do programa Sala do Artista Popular (SAP) e tem pesquisa de campo e texto de catálogo assinados pela historiadora Ana Lima Kallás. A entrada é gratuita.
Antes da abertura, às 15h, o público poderá participar de uma roda de conversa com as artesãs mineiras Maria Aparecida das Graças Oliveira, presidente da Associação de Artesãos de Turmalina (Astur); Ilma Gonçalves de Oliveira, presidente da Associação Comunitária dos Artesãos de Turmalina (Soarte); e Monique Sthefany Rodrigues Sobrinho, representante da Artever, de Veredinha. O encontro aborda os saberes e fazeres que integram a tradição artesanal do Vale do Jequitinhonha.
Bordados e saberes do Vale do Jequitinhonha
Emoldurada por um breve panorama documental, a exposição apresenta a produção têxtil de Turmalina e Veredinha e contextualiza os diferentes saberes-fazeres presentes no Vale do Jequitinhonha, que incluem também cerâmica e trabalhos em couro.
Turmalina e Veredinha estão localizadas no Alto Jequitinhonha. Segundo a pesquisadora Ana Lima Kallás, Turmalina se desenvolveu a partir da exploração do ouro às margens do rio Araçuaí, no século XVIII, acompanhada do cultivo de alimentos para os mineradores. Veredinha, a cerca de 40 quilômetros de Turmalina, teve origem em um ponto de passagem de tropeiros que transportavam mercadorias para cidades da região. O município se emancipou de Turmalina em 1995.
Esta não é a primeira vez que o CNFCP apresenta a arte têxtil do Vale do Jequitinhonha. Em 2000, o programa Sala do Artista Popular realizou a exposição “Um vale de tramas: a tecelagem do Jequitinhonha”, dedicada à produção da cidade de Berilo.
Para a atual mostra, Ana Lima Kallás entrevistou 40 mulheres. Um dos aspectos que se destacam em sua pesquisa é a força do associativismo entre as artesãs, que se organizam coletivamente para a compra de insumos, participação em eventos, comercialização das peças, desenvolvimento de novas coleções e realização de cursos de capacitação.
Artesanato como geração de renda
Além de preservar e divulgar saberes tradicionais, o artesanato tem papel importante na geração de renda das mulheres do Vale do Jequitinhonha. Ilma Gonçalves de Oliveira, da Soarte, destaca a participação da atividade na economia das famílias e da própria cidade.
“Eu percebo que aqui, não apenas no nosso município, Turmalina, mas no Vale do Jequitinhonha como um todo, o artesanato representa uma renda necessária. Garante o sustento de famílias. Entre as associadas da Soarte há mulheres que garantem o custeio da casa com o bordado.”
As peças apresentadas na exposição estão à venda por valores entre R$ 50 e R$ 1,5 mil. A comercialização é feita por meio das entidades representantes, com o repasse dos valores às artesãs.
Segundo Ilma, o escoamento da produção acontece por diferentes caminhos, incluindo o ponto de venda mantido pela associação, redes sociais, familiares que vivem em outras cidades e o envio pelos Correios.
Sempre há uma linha em movimento.
Abertura: quinta-feira, 17 de setembro, das 17h às 20h
15h – Roda de conversa com Maria Aparecida das Graças Oliveira (Astur), Ilma Gonçalves de Oliveira (Soarte) e Monique Sthefany Rodrigues Sobrinho (Artever).
Realização: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (CNFCP/Iphan) e Associação Cultural de Amigos do Museu do Folclore Edison Carneiro (Acamufec).
Foto: Francisco Moreira da Costa