A exposição Das Galés as Galerias: representações e protagonismos do negro no acervo do MNBA marca os 130 anos da assinatura da Lei Áurea e busca proporcionar um olhar sobre as múltiplas representações do negro, bem como seus protagonismos encontrados em cerca de 80 obras selecionadas do rico acervo do MNBA.
Dentre as obras presentes na mostra, merecem destaque telas como “Redenção de Cã” (de Modesto Brocos, 1852); “Natureza-Morta” (1891, de Estevão Silva); “Colheita de flores” (1972, de Maria Auxiliador Silva); “Vista de um engenho de cana-de-açúcar” (circa 1637/1680, de Frans Post); “O Pedinte” (1961, de Agnaldo Santos) e a escultura “Leonidas da Silva, o Diamante Negro”(1938, de Martins Ribeiro).
A exposição explora um fio condutor onde múltiplas interpretações do negro e do legado afro-brasileiro vão tomando forma.
Enfocando as artes inseridas no contexto de épocas específicas, os curadores optaram por um recorte que abrange basicamente três momentos de nossa história onde as questões do negro e do nacional estão imbricadas na imaginação da brasilidade: da Colônia ao Império, o Brasil do Estado Novo e o Brasil atual, onde a brasilidade homogeneizada cede cada vez mais espaço a uma diversidade de identidades e tradições culturais caminhando para uma sociedade multicultural.
Da escravização à ideologia do branqueamento - tese racista defendida pelas elites de que, através da imigração européia e da mestiçagem, o Brasil se tornaria uma nação majoritariamente branca em 100 anos; e portanto, apto a integrar o grupo das nações civilizadas -, passando pelo mito da democracia racial, os discursos sobre raça tomaram formas diferentes.
Já na contemporaneidade, estes discursos sobre raça pautam-se pela multiculturalidade, isto é, a possibilidade de convivência numa mesma nação de grupos étnicos e culturais diversos