O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro apresenta, de 11 de fevereiro a 30 de março de 2026, a exposição Vetores-Vertentes: Fotógrafas do Pará, um amplo e inédito panorama da fotografia contemporânea produzida por mulheres amazônicas — um campo artístico que hoje se afirma como uma das expressões visuais mais potentes da Amazônia e da arte contemporânea brasileira.
Após temporadas de grande repercussão nos CCBBs de Belo Horizonte, Brasília e São Paulo, a mostra chega ao Rio reafirmando a centralidade da produção fotográfica feminina do Norte do país, reconhecida pela sua força estética, política e poética. Idealizado pelo Museu das Mulheres (Museu DAS), o projeto tem curadoria de Sissa Aneleh, historiadora da arte e pesquisadora que há quase duas décadas se dedica à arte brasileira feita pelas mulheres, em especial fotografia artística, artes visuais e artes plásticas das narrativas visuais da Amazônia, sob perspectiva feminina e decolonial.
“A exposição Vetores-Vertentes chega ao CCBB Rio de Janeiro trazendo toda a potência do Norte do Brasil, da Amazônia, por meio dos olhares sensíveis e impactantes de mulheres que produzem obras capazes de conectar todo brasileiro de maneira muito significativa” comenta Sueli Voltarelli, Gerente Geral do CCBB Rio, pontuando ainda que “é mais uma realização que reforça o nosso compromisso de promover a diversidade cultural e aumentar a visibilidade de produções artísticas que ampliam a compreensão do país, seus territórios e suas identidades”.
A exposição Vetores-Vertentes: Fotógrafas do Pará é apresentada pelo Ministério da Cultura e Banco do Brasil, com patrocínio por meio da Lei Rouanet - Incentivo a Projetos Culturais. A coordenação e produção é assinada pelo Museu das Mulheres e a realização é do Governo do Brasil e CCBB.
Uma grande cartografia visual da Amazônia contemporânea
Vetores-Vertentes reúne 170 obras, entre fotografias, vídeos, instalações, jornais fotográficos, fotonovelas, áudios e experiências imersivas, olfativas e interativas. A mostra traça um recorte plural que revela um Pará múltiplo — urbano e ribeirinho, cosmopolita e ancestral — aproximando o público de uma Amazônia complexa e real, distante dos estereótipos e da exotização presentes no imaginário nacional. “A fotografia artística feita por mulheres no Pará tece caminhos entre arte, documentação e experimentação. É uma potente ferramenta de resistência, memória e afirmação identitária feminina”, afirma a curadora Sissa Aneleh.
O CCBB Rio como território amazônico
Na temporada carioca, o visitante é recebido pelo ambiente dedicado ao filme MUKATU’HARY (Curandeira) com direção e roteiro de Sissa Aneleh, exibido por experiência com Realidade Expandida no circuito Oca. A obra, exibida no térreo, transporta o público para uma aldeia indígena e apresenta um ritual real de cura conduzido por Maputyra Guajajara, revelando musicalidades, espiritualidades e práticas ancestrais de mulheres indígenas. Essa experiência inicial estabelece uma porta de entrada sensorial para o universo amazônico que se desdobra ao longo de toda a exposição. A partir daí, o percurso se amplia, reunindo desde a fotografia documental sobre comunidades ribeirinhas, quilombolas, urbanas e indígenas até narrativas afroamazônicas que investigam corpo, memória e espiritualidade. O ambiente também apresenta experimentos visuais que cruzam processos analógicos e digitais, manipulações de imagem, hibridismos e novas materialidades que expandem o suporte fotográfico para dimensões performáticas e conceituais.
Essa diversidade de técnicas, poéticas e gerações oferece ao público uma experiência fluida e profunda, capaz de revelar a complexidade da identidade amazônica e as disputas contemporâneas que atravessam esse território.
Tecnologia, imersão e sentidos ampliados
A exposição também aposta na ampliação sensorial da experiência do público. Entre os destaques está a instalação aromática Ycamiabas, composta por seis composições aromáticas criadas especialmente para a mostra e inspirados nas mulheres indígenas guerreiras Icamiabas que habitaram a região amazônica histórica chamada Nhamundá. Além disso, experiências visuais e sonoras espalhadas pelo espaço reforçam a presença da Amazônia no ambiente urbano carioca, intensificando a imersão do visitante nesse universo.
As 11 fotógrafas e seus olhares
A mostra apresenta artistas das décadas de 1980 a 2000 e também uma nova geração que redimensiona a fotografia brasileira. Cada artista expande, à sua maneira, os repertórios da fotografia brasileira:
Bárbara Freire – Poéticas urbanas que oscilam entre experimentalismo e registro documental.
Cláudia Leão – Processos alquímicos e manipulações de negativos, explorando materialidades inéditas.
Deia Lima: sua obra ressignifica a imagem das mulheres e apresenta a identidade visual regional na era digital.
Evna Moura – Linguagens híbridas e performáticas vinculadas à ancestralidade afro-amazônica.
Jacy Santos: influenciada pela fotografia documental regional, suas imagens retratam o cotidiano amazônico com olhar humanista e poético. Seu trabalho é um testemunho visual das identidades sociais e culturais da região.
Leila Jinkings – Documentarista ligada aos movimentos sociais e à luta política.
Nailana Thiely – Narrativas íntimas sobre povos indígenas, ribeirinhos e afrodescendentes.
Nay Jinknss – Abordagem decolonial, com foco em feminismo negro e representatividade amazônica.
Paula Sampaio – Registros das resistências de populações tradicionais e memórias urbanas.
Renata Aguiar – Pesquisa corpo-território, ritualidade, autobiografia e LGBTQIAP+.
Walda Marques – Encruzilhadas entre documental e conceitual, com foco em religiosidades urbanas.