Cerca de 70 obras, entre pinturas, composições abstratas, autorretratos e trabalhos que incorporam a participação do público, integram a exposição “Quando aparecer um rio atravesse-o”, de Fernanda Leme, que será inaugurada nesta quinta-feira, 5 de novembro, no Centro Cultural Candido Mendes, em Ipanema.
Com curadoria de Denise Araripe, a mostra reúne trabalhos inéditos e séries desenvolvidas pela artista ao longo dos últimos anos. O eixo central da exposição é uma pesquisa sobre a desconstrução e a reconstrução de imagens, explorando questões como a finitude, a impermanência e a rapidez com que as imagens são produzidas e descartadas no mundo contemporâneo.
Entre as novidades está uma série iniciada especialmente para a exposição, na qual Fernanda recorta suas próprias pinturas em tiras horizontais de diferentes espessuras e as reorganiza sobre suportes de madeira. O processo transforma imagens figurativas em composições abstratas, nas quais alguns elementos, como barcos, permanecem visíveis e evocam ideias de deslocamento e travessia.
A exposição também apresenta trabalhos da série “Estilhaços”, iniciada em 2025, na qual retratos e figuras são atravessados por tramas geométricas que fragmentam as imagens, sem eliminar completamente suas referências figurativas.
Outro destaque são as 60 obras da série “Cabeças”, produzidas desde 2014. Em formato semelhante ao das fotografias 3x4, os trabalhos apresentam autorretratos da artista em diferentes fases da vida. Para esta edição, quatro espelhos serão incorporados à série, permitindo que os visitantes vejam seus próprios rostos refletidos no lugar das pinturas. A proposta estabelece uma relação com a cultura das selfies e a efemeridade das imagens digitais.
A mostra inclui ainda a série “Morfemas”, na qual Fernanda utiliza os próprios fios de cabelo para criar desenhos geométricos. Os trabalhos foram desenvolvidos durante uma fase de tratamento contra um câncer de mama e deram origem a pesquisas posteriores com tramas gráficas e recortes.
O título da exposição sintetiza a reflexão proposta pela artista sobre a vida e a transformação. Para a curadora, o rio representa tanto uma interrupção no caminho quanto a possibilidade de seguir adiante. Atravessá-lo significa aceitar as mudanças e reconhecer a impermanência como parte da experiência humana.
Nascida e radicada no Rio de Janeiro, Fernanda Leme é arquiteta e artista visual, com formação na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e pós-graduação em Arte e Filosofia pela PUC-Rio. Entre suas exposições individuais estão “Em que espelho ficou perdida a minha face” (2019) e “Monstros” (2024). Denise Araripe é artista visual e curadora, com trajetória iniciada na década de 1990 e obras presentes em coleções públicas e privadas, entre elas a Coleção Gilberto
Curadoria: Denise Araripe