O Instituto Burle Marx e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) anunciam a exposição Lugar de estar: o legado Burle Marx, que será inaugurada em 27 de janeiro de 2024.
A curadoria conjunta de Beatriz Lemos, curadora-chefe do MAM Rio, Isabela Ono, diretora-executiva do Instituto Burle Marx, e Pablo Lafuente, diretor artístico do museu carioca, propõe novas leituras sobre o acervo documental do trabalho de Roberto Burle Marx (1909-1994) e de seus colaboradores, no escritório onde foram concebidos mais de 2 mil projetos paisagísticos entre os anos 1930 e 1990.
Segundo Beatriz Lemos, a exposição propõe um olhar contemporâneo “que tem no Parque do Flamengo o mote conceitual que nos leva a outros projetos no Rio de Janeiro, no Brasil e no exterior. Nos interessa pensar como esses espaços foram ressignificados ao longo do tempo”.
Paisagista, artista multifacetado e nome incontornável do modernismo brasileiro, Roberto Burle Marx foi autor do projeto dos jardins do MAM Rio, instituição na qual acontece a terceira exposição do Instituto. Para ampliar o diálogo sobre o acervo, composto por cerca de 150 mil itens, o discurso curatorial partiu dos temas que surgem de 22 projetos do paisagista e sua equipe.
Em mil metros quadrados de área expositiva, a narrativa se constrói a partir de projetos que pensavam cidades, estudos, croquis, desenhos, fotografias e recortes de jornal somados às obras dos artistas convidados: João Modé, Luiz Zerbini, Maria Laet, Mario Lopes, Rosana Paulino e Yacunã Tuxá. Os seis foram instigados a reverberar o legado Burle Marx por meio de trabalhos produzidos especialmente para a mostra ou já existentes.
A curadoria destaca a relevância de reunir um grupo de gerações, origens e práticas distintas. Lugar de estar: o legado Burle Marx reúne cerca de 100 itens, em uma expografia que remete aos “lugares de estar” criados como espaços públicos pelo paisagista e seus colaboradores, com áreas de contemplação, encontro, experimentação e simplesmente de estar.
A mostra conta também com entrevistas em vídeo – algumas do acervo e outras gravadas para a ocasião, com depoimentos dos colaboradores sobre a experiência de trabalho no Escritório.
O Parque do Flamengo, onde está localizado o edifício do MAM Rio, é o ponto de partida que inspirou a exploração de outros projetos que foram idealizados no Brasil, para os estados do Rio de Janeiro, Paraíba, Bahia, Pernambuco, São Paulo e Brasília; e na Venezuela, na cidade de Caracas.
Em relação ao Rio, a exposição questiona o direito à cidade ao evidenciar que a maior parte dos projetos não executados, como o Parque Moça Bonita, em Bangu, ou parcialmente executados, como o Parque da Maré, às margens da Avenida Brasil, estavam fora do eixo zona sul, área nobre da cidade.
Por fim, um painel mostra o ativismo de Burle Marx acerca das questões ambientais e climáticas. "Nos anos 60 ele já falava sobre a crise climática. Era uma voz pública, engajada e crítica numa época em que não se falava muito sobre o assunto", afirma Pablo Lafuente.
As questões ambientais ganham atenção especial por parte do MAM Rio, que abre o ano de 2024 comprometido com a sustentabilidade por meio de seu programa e das próprias dinâmicas de trabalho.
A exposição Lugar de estar: o legado Burle Marx faz parte de uma série de ações que o museu adotará ao longo dos próximos meses como reflexo desse novo olhar.