O artista visual carioca Rodrigo Borges inaugura, em 13 de junho, a exposição “O Jardim da Memória”, na Galeria do Lago, no Museu da República. Com entrada gratuita, a mostra apresenta uma obra de grandes proporções que ocupa quase toda a extensão da galeria, além de estudos preparatórios que revelam o processo criativo do artista.
O destaque da exposição é o painel homônimo de 1,50 metro de altura por 14,4 metros de comprimento, realizado em técnica mista que combina desenho e texto. A mostra também reúne 24 estudos em grafite desenvolvidos durante a criação da obra. Com curadoria de Isabel Portella, a exposição fica em cartaz até 6 de setembro.
Em sua segunda individual, Rodrigo Borges amplia a investigação sobre memória, passagem do tempo e construção de narrativas visuais iniciada em “A Floresta que Habito”, apresentada em 2025. O painel foi produzido ao longo de mais de dois meses de trabalho contínuo em ateliê e representa o projeto mais ambicioso da trajetória do artista até o momento.
A obra acompanha a jornada de uma personagem chamada Memória, representada por uma criança que percorre os jardins do Museu da República em busca de uma lembrança esquecida. Ao longo do percurso, passado e presente se misturam, escalas se alteram e os espaços se transformam, construindo uma narrativa aberta à interpretação do público.
Elementos reais do museu, como o portão, a fachada do palácio, o relógio e objetos presentes no espaço, foram incorporados à composição, estabelecendo um diálogo entre a arquitetura histórica e o universo imaginário criado pelo artista.
A exposição também propõe uma reflexão sobre legado, permanência e esquecimento. Segundo Borges, o trabalho investiga não apenas a morte biológica, mas também a possibilidade de desaparecimento por meio do esquecimento, questionando de que forma a memória preserva a existência de pessoas, histórias e experiências ao longo do tempo.
Formado em Design Gráfico pela PUC-Rio, com especialização em animação, Rodrigo Borges desenvolveu uma linguagem visual influenciada pelo Art Nouveau, pelo Simbolismo e pela mitologia nórdica. Em sua produção, o grafite assume papel central tanto como técnica quanto como elemento conceitual, criando imagens marcadas por atmosferas oníricas, narrativas fragmentadas e forte densidade simbólica.
Sobre o artista
Rodrigo Borges é artista visual e pesquisador da imagem. Sua produção transita entre desenho, ilustração e motion design, explorando temas como memória, mito, tempo e permanência. Participou de exposições coletivas no Brasil e no exterior, incluindo mostras na Arch Enemy Arts, na Filadélfia, e realizou sua primeira exposição individual em 2025, com “A Floresta que Habito”, na Galeria Iconic, no Rio de Janeiro.
Ficha Técnica
Artista: Rodrigo Borges
Curadoria: Isabel Portella
Montagem: Adriano Trindade