Diretor premiado, reconhecido no Brasil e no exterior por sua contribuição ao cinema, o documentarista Silvio Tendler é o curador da expo-instalação “Resistência Retiniana” que tem como convidados a artista visual Wira Tini, e os fotógrafos João Roberto Ripper e Antonio Scorza, que abre no dia 10/6, sábado, às 20 horas, no Sesc Niterói.
“Uma experiência propositadamente caótica de fotografias, palavras e sons. Subverti o conceito ao criar a “resistência retiniana”, onde o cérebro captaria várias imagens em paralelo (ao invés de apenas uma) e criaria um labirinto de memórias com o que vivemos e sentimos em nossos percursos pela vida”, define Silvio, que no texto abaixo, nos explica o termo como um dos primeiros aprendizados da escola de cinema.
Para Silvio Tendler, que passou trinta anos lecionando para alunos da PUC-RJ, nos ensina o desafio, quando se reinventa para cada nova criação entregue ao seu público. E reflete sobre “Resistência Retiniana”: “As imagens que selecionei, fotografias minhas de diversas fases, desde o jovem amante da imagem estática que corria o mundo atrás de revoluções, ao cineasta experiente que perdeu parte do movimento das mãos, mas não a vivacidade, e capta o que vê com um celular pela janela do carro”.
Perfil dos artistas:
Antonio Scorza: Mergulhado no caleidoscópio da vida, transita em favelas e palácios, fome e banquetes, guerras e amores, capturando a contradição impregnada na condição humana em pequenos lapsos de luz. Trabalhou na France Presse, “O Globo” e “Jornal do Brasil” e recebeu os prêmios World Press Photo, National Press Photographer Association e CNT.
João Roberto Ripper: Fotojornalista autodidata, há mais de 50 anos foca seu trabalho na afirmação dos Direitos Humanos e busca documentar a delicadeza e beleza dos rostos e dos fazeres dos socialmente marginalizados. Para Ripper, tão importante quanto fazer a denúncia dos desrespeitos aos direitos, é evidenciar a beleza, dignidade e humanidade de cada um.
Silvio Tendler: Em 50 anos de carreira, lançou mais de 80 longas, médias e curtas-metragens com viés histórico, social e político. Acumula as três maiores bilheterias documentário brasileiro e foi premiado em importantes festivais. Prefere biografar os “vencidos” aos vencedores, por isso ficou conhecido como cineasta dos sonhos interrompidos.
Wira Tini: Grafiteira e muralista, traz em seus trabalhos sua raiz ribeirinha e de seus ancestrais do povo kokama. Compõe imagens que retratam a cultura e a vivência nortista, especialmente mulheres e trabalhadores. Pioneira na cena da arte urbana no Amazonas, foi a primeira mulher a fazer um festival de grafite focando nas mulheres da região Norte.
Classificação: Livre