Diferentemente de outras exposições em que o público apenas aprecia as obras, a exposição “Ressonâncias” fomenta a arte contemporânea em torno da criação inovadora do artista Paulo Nenflidio que apresenta obra inédita de arte sonora que precisa ser experimentada, sentida, explorada.
Incitado pela relação entre o corpo e a tecnologia, cada visitante poderá criar a sua própria expressão. A obra “Neurocórdio”, criada especialmente para o projeto, é um instrumento capaz de produzir música a partir da leitura das ondas cerebriais do visitante. A obra é composta por um leitor de ondas cerebrais, um módulo de controle, 10 monocórdios infinitos, amplificadores e circuito eletrônico com bluetooth.
O leitor de ondas cerebrais mede o estado de concentração e o piscar de olhos do usuário, e ainda envia as informações por bluetooth para o módulo de controle. Conforme pisca os olhos, o visitante pode escolher qual monocórdio infinito deseja interagir. Cada monocórdio possui uma corda com afinação de uma nota musical diferente em uma escala crescente.
Uma vez habilitado o monocórdio, a corda entra em ressonância através de um sistema de realimentação eletromagnética. Um captador magnético obtém as vibrações da corda e o sinal é amplificado num falante gerando o som. Uma vez desabilitado, o circuito eletrônico é desligado e o monocórdio volta a permanecer em silêncio.
Além da exposição da obra “Neurocórdio” o projeto também ofereceu a Oficina Grilo Solar, na qual o artista apresentou o passo a passo da construção de uma escultura sonora alimentada por energia solar que estará em exposição no térreo do Oi Futuro junto com alguns vídeos de outras obras do artista.
A obra “Metacircuito n2”, um objeto que possui um display por onde passam frases em scroll, estará exposta no Museu das Telecomunicações. Também foi realizada a performance-palestra do artista no LabSonica, com o instrumento musical “Bicórdio Infinito”, inventado e construído por Paulo Nenflidio.
A arte contemporânea se reinventa a todo instante. A obra de Paulo Nenflidio desconstrói formalidades, reorganiza materiais, objetos e também o próprio espaço de uma forma inovadora. Um conjunto em que o espectador e o lugar estão cúmplices e comprometidos não somente com a leitura, mas com o resultado da obra.
Transitar na obra híbrida de Nenflidio é caminhar por um espaço de deslocamentos que produz perceptos ainda não nomináveis e, por essa questão, o que vale mesmo é a própria experiência.
Foto: Renato Mangolin