As histórias de Luarlindo Ernesto Silva atravessam gerações de repórteres e se confundem com a própria crônica policial brasileira.
Conhecido como Luar, ele esteve presente em episódios que marcaram o país e que depois migraram para o cinema, como o assalto ao trem pagador, a morte do detetive Le Cocq, a perseguição a Cara de Cavalo e as fugas de Lúcio Flávio.
Ganhador de três prêmios Esso, Luar cobriu a Bomba do Riocentro e foi o primeiro jornalista a localizar Tommaso Buscetta escondido no Brasil, informação que colaborou com investigações internacionais sobre a máfia italiana. Nascido em 1943, ele integrou a geração de profissionais que, a partir dos anos 1960, precisou exercer o jornalismo investigativo em meio às restrições impostas pela Ditadura Militar.
Essa trajetória é revisitada no livro “Luar: o Último Repórter dos Anos de Chumbo”, escrito pela jornalista Elenilce Bottari e publicado pela Editora Letra Selvagem na Coleção José do Patrocínio, dedicada a nomes relevantes do jornalismo brasileiro.
Formada pela FACHA, Bottari construiu carreira em veículos como O Globo, Infoglobo e Rádio Tupi, com destaque para reportagens investigativas no Rio de Janeiro, entre elas a apuração sobre torturas na UPP da Rocinha no caso Amarildo.
A obra apresenta a formação de um repórter que atravessou décadas marcadas por censura, violência urbana e limitações à liberdade de imprensa, além de discutir o valor do fato jornalístico em um cenário contemporâneo de desinformação.