Dois profissionais negros, da área acadêmica e das artes, se reuniram para dar voz a uma realidade no país: colocar de vez a importância da representatividade na sociedade em geral de corpos de homens afrodescendentes.
Organizado por Paulo Melgaço, doutor em educação e Vandelir Camilo, doutorando em memória social, o livro “Masculinidades Negras – Novos debates ganhando formas” traz textos e debates que iluminam as diferentes possibilidades de construção de gênero sobre o corpo negro e suas várias dimensões sociais em produções sexuais, intelectuais, artísticas em sentido extenso (literatura, artes, fotografia, teatro, cinema, televisão, etc). O livro apresenta 29 autores, 15 artigos e 14 entrevistas.
O lançamento será no dia 17 de setembro, às 13h, no Muhcab, Museu da História e Cultura Afro- Brasileira, no Centro.
Falar de questões relacionadas ao passado da negritude brasileira e que, ao mesmo tempo, se aproximam do presente estado em que vivemos, nos coloca frente a frente com indagações que ainda se fazem importantes e necessárias.
É nesta seara que o livro procura jogar uma lupa - apresenta pesquisas voltadas para grandes temáticas de estudos sobre homens negros e as várias dimensões nas construções sociais desses indivíduos relacionados, antes de tudo, ao racismo versus gênero e, por conseguinte, a temas específicos como à paternidade, ao trabalho, à renda, à saúde, à educação e à sexualidade.
Além dos organizadores, nomes como o de Monica Francisco Aprigio, Yago Eloi, Diogo Sousa, Kauan Almeida, Carolina Iara Ramos de Oliveira, Leonardo Peçanha, Daniel Veiga, William Melo, Jean dos Santos, Roberto Borges e Samuel de Oliveira, Leandro de Brito, Wallace Modesto, Fabio de Almedia e Gabriel Vilela, Luiz Valério Soares da Cunha Junior, Alisson Keliton dos Anjos, Danilo Marques Pereira e Andressa Coloaia dos Santos refletem sobre assuntos diversos como paternidades negras, homens, negros gays, intersexualidades, transmasculinidades, educação, racismo, homofobia, entre outros pontos relacionados ao tema do livro.
Nos últimos 30 anos, diferentes pesquisas relativas aos campos da educação, da antropologia, da sociologia, da psicologia e suas relações com raça (negra) e gênero (masculino), passaram a questionar modelos e normas essencializadas e a apresentar novos modelos e possibilidades de ser e estar no mundo. Com isso, homens negros estão apresentando e construindo seus próprios caminhos e possibilidades de estar inserido ou não em determinados grupos sociais.
Reconhecidas como “masculinidades negras”, elas estão contribuindo para dar forma a este escopo de pesquisa, que, atualmente, tem apresentado uma dinâmica própria e ampliado as condições de afirmação desses debates no âmbito das ciências sociais. Entretanto, esses debates não limitam ou tornam evidentes as fronteiras corpóreas, geográficas ou econômicas sobre corpos negros, mas, mais que isso, entre o próprio campo de pesquisa das masculinidades negras e outras áreas disciplinares, ou mesmo outros campos do conhecimento das ciências humanas o que provoca por si só debates interdisciplinares.
O resultado, tendo em vista os pesquisadores e pesquisadoras que fizeram parte do processo, oferece uma bela visão da constituição desse campo e do seu desenvolvimento na pesquisa e permite, ainda, esboçar o perfil, os desafios, e as perspectivas de modo bastante definido e consistente.
Páginas: 340
ISBN: 978-65-80196-13-5
Preço de capa: R$ 65,00
Editora: Ciclo Contínuo Editorial