O último maxixe (Patuá), romance de estreia de Igor Miguel Pereira, imagina um encontro entre Chiquinha Gonzaga e o samba que surgia no Rio de Janeiro dos anos 1930. A ficção histórica mistura personagens reais e inventados para acompanhar a icônica compositora diante das transformações provocadas pela popularização do rádio, pela chegada do cinema falado e pela ascensão do samba como ritmo dominante.
A história começa quando, aos 84 anos, Chiquinha Gonzaga é convidada por um produtor norte-americano e um diretor de cinema a compor a trilha sonora do primeiro filme musical realizado no Brasil. Durante as audições, ela conhece uma atriz e três músicos do Estácio, que apresentam um samba diferente dos maxixes que a pianista dominava. Intrigada pelo novo ritmo, Chiquinha passa a tentar decifrar sua batida e seu jeito de tocar.
A ideia do romance nasceu do interesse do autor por uma questão histórica: Chiquinha ainda era viva quando o samba do Estácio começou a se consolidar e nomes como Ismael Silva e Noel Rosa ganharam projeção. “Esse encontro de alguma forma existiu, só não sabemos o que ocorreu. Então, só me restou imaginá-lo”, conta Pereira.
Ambientado principalmente na região da Lapa, o livro percorre espaços como a Cinelândia, o Teatro João Caetano, a Praça Tiradentes e a Rua do Ouvidor. A trama reúne personagens como Paulo da Portela e Mário de Andrade, além de participações de Carmen Miranda, Cartola, Noel Rosa, Ismael Silva e outros nomes ligados à cultura brasileira.
Escritor e roteirista, Igor Miguel Pereira também dirigiu e codirigiu documentários sobre Dolores Duran e Chiquinha Gonzaga, exibidos no Festival In-Edit e pelos canais Curta! e Amazon Prime. O último maxixe foi contemplado pelo edital Produção de Obra Literária: Literatura do Rio ao RJ, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro.
O último maxixe — Igor Miguel Pereira | Patuá | Ficção histórica | 232 páginas | R$ 60