Um dos pioneiros da retomada cultural do bairro boêmio do Rio, lá no início dos anos 2000, o cantor João Cavalcanti volta a se apresentar no mítico Clube dos Democráticos, acompanhado de Alaan Monteiro (bandolim e direção musical), Diego Zangado (bateria), Gabriel de Aquino (violão), Guto Wirtti (baixo) e Thiaguinho Castro (percussão).
Desde que saiu do Casuarina, em 2017, João lançou quatro álbuns, teve uma indicação ao Grammy Latino, fez turnês pelo Brasil e pelo exterior. Até fez shows na Lapa, sim, mas esteve um pouco afastado do circuito de samba do bairro. Com o retorno da programação de samba no Clube dos Democráticos - através da reunião da Orquestra Republicana, em uma emocionante homenagem ao saudoso Eduardo Gallotti - João percebeu que era a hora de voltar à casa. Afinal, foi ali na Lapa que João criou seus laços com o samba, através da convivência com sambistas da velha guarda e da formação paulatina de plateia.
No show, incursões pela vastidão da música brasileira, com bordoadas de funk, groove, Nordeste, boleros-malandros e tudo mais que comportar a mobília. Standards do samba, como "Tendência" (Ivone Lara / Jorge Aragão) e "Gostoso Veneno" (Wilson Moreira / Nei Lopes); pérolas dos baús, como "Samba Para o João" (Wilson das Neves / Chico Buarque); e garimpos de lavra própria, como "Ponto de Vista" (com Edu Krieger) e "Indivídua" (com Pedro Luís). Tendo sempre, claro, o samba por princípio - e meio e fim. Porque, como diz o refrão da canção que inaugura esse texto, parceria de João com Alaan Monteiro: "Queira ou não queira, o samba é o meu lugar".
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