Um ano após estrear em Salvador, o encontro vibrante entre a percussionista Lan Lanh e o violinista Mário Soares chega ao Rio de Janeiro com o show “Lan Lanh e Mário Soares num axé pra Lua”, em duas apresentações gratuitas, nos dias 23 e 24 de janeiro, às 18h, no teatro Nelson Rodrigues da CAIXA Cultural RJ.
Criado a partir do diálogo entre percussão e violino, instrumentos tradicionalmente associados a universos distintos, o espetáculo constrói uma travessia sonora que conecta o barro do chão nordestino, a ancestralidade africana e a pulsação urbana da Bahia. “É um encontro que nasce do afeto, da escuta e da liberdade. A gente cria ritmo no violino e harmonia no batuque, sem pedir licença às etiquetas”, define Lan Lanh.
No Rio, a apresentação ganha novidades no repertório e na construção da cena, com novas canções, improvisos ampliados e arranjos pensados especialmente para a temporada carioca. O fio condutor segue sendo a homenagem e a ponte simbólica entre Luiz Gonzaga e Luiz Caldas, dois pilares da música nordestina e baiana. “Gonzagão estruturou o Brasil musicalmente e levou o Nordeste para o país inteiro. Luiz Caldas abriu caminhos para uma nova linguagem, conectando tradição e invenção. O espetáculo caminha entre esses dois mundos”, afirma Mário Soares.
O palco recebe a participação especial de Márcia Short, uma das grandes vozes da Bahia e referência da Banda Mel, que adiciona ainda mais potência ao repertório de axé, baião, ijexá e afro-samba. “Márcia canta tudo com verdade, do popular ao sagrado. Ela traz memória, força e emoção para o show”, comenta a percussionista.
A apresentação conta ainda com Ruan de Souza no violão, músico da Orquestra Afrosinfônica, e com o baixista Dadi Carvalho, integrante histórico dos Novos Baianos e da banda A Cor do Som, fortalecendo o diálogo entre gerações e estéticas da música brasileira.
O eixo do espetáculo é o legado da Mãe África, reverenciado desde a abertura, quando os artistas pedem licença aos orixás com canções como “Canto de Xangô”, de Baden Powell e Vinicius de Moraes, e “Batuque nas Águas”, de Naná Vasconcelos. Ao longo do show, o violino de Mário transita entre rabeca, guitarra baiana e instrumento orquestral, em diálogo direto com atabaques, berimbaus, pandeiros e o amplo arsenal percussivo de Lan Lanh.
O encerramento pretende transformar a CAIXA Cultural em uma verdadeira praça em festa, com referências ao trio elétrico de Dodô & Osmar, frevos e celebrações coletivas. “A gente termina como numa Praça Castro Alves, com todo mundo dançando. É um final que reúne rito, alegria e comunhão”, antecipa a percussionista.
Patrocinado pela CAIXA e pelo Governo Federal, “Lan Lanh e Mário Soares num axé pra Lua” é um encontro de almas, uma celebração do passado que pulsa no presente e aponta para os futuros possíveis da música brasileira. As apresentações contam com acessibilidade por meio de intérpretes de Libras nos dois dias de shows.