Uma das mais emblemáticas obras de Ariano Suassuna “Auto da Compadecida, a Ópera” ganha as cores da Orquestra Ouro Preto.
A história de Chicó e João Grilo recebe uma versão sem precedentes e reúne em palco uma verdadeira constelação para apresentar “uma ópera buffa brasileira em dois atos”.
A música é original e traz a assinatura de Tim Rescala. O compositor assina o libreto junto com o maestro Rodrigo Toffolo, regente titular da Orquestra e responsável pela concepção e direção musical do espetáculo.
Essa é a terceira incursão da Orquestra no universo operístico e pode ser considerada um marco na maturidade da formação mineira que agora, com 22 anos de trajetória, propõe um projeto ainda mais ousado rumo a uma linguagem brasileira e popular.
O diálogo direto com o público, um dos pilares da produção da Orquestra, está garantido nessa ópera buffa que traz a comédia como elemento principal de sua linguagem. Para cumprir essa missão, formou-se um grande elenco em cena e nos bastidores da montagem.
A direção de cena é assinada por Chico Pelúcio. No palco, grandes nomes do canto lírico brasileiro – Fernando Portari, Marília Vargas, Marcelo Coutinho, Carla Rizzi, Jabez Lima e Rafael Siano, além de um trio de atores escolhidos para dar voz e corpo ao clássico da literatura brasileira – Glicério do Rosário, Claudio Dias e Maurício Tizumba.
Para abrilhantar ainda mais a produção, trazendo para o palco as raízes da obra de Ariano, o espetáculo conta com figurinos desenhados por Manuel Dantas Suassuna, artista plástico de renome e filho do escritor.
Essa parceria traz ainda um maior enraizamento à montagem, agregando o olhar e a criação de quem nasceu, viveu, conhece e reconhece este universo como poucos.
Em sua terceira parceria com a Orquestra Ouro Preto, Tim Rescala, que assina a música original, ressalta dois desafios: o primeiro seria se manter fiel ao eixo principal da obra, seu esqueleto, sua estrutura básica, sem corrompê-la. O segundo seria, ao mesmo tempo, gerar algo novo.
Para ele “a melhor forma de se reverenciar um clássico não é sendo conservador, mas sim sendo livre, transformando aquilo que foi criado em uma outra coisa. Por isso que a gente chama a montagem de ópera buffa brasileira: ela procura ser popular, ter contato direto com a plateia, mas criando algo diferente. A gente espera ter encontrado esse novo formato”, adianta o compositor.