O pandeiro deixa de ser apenas instrumento de percussão e passa a comandar som e imagem em “Boca do Tempo”, espetáculo solo de Sergio Krakowski.
A apresentação combina pandeiro, voz, eletrônica e projeções em uma experiência construída a partir de mais de 20 anos de pesquisa composicional do músico.
Com direção de imagem de Batman Zavareze, o espetáculo trabalha a improvisação como elemento central. As canções compostas por Krakowski funcionam como pontos de partida para uma narrativa que conecta música e imagem em tempo real.
No centro da proposta está o pandeiro, instrumento que o músico explora em diferentes possibilidades sonoras, aproximando-o de surdo, tamborim e bateria eletrônica. Softwares desenvolvidos por Krakowski durante seu doutorado em Computação Musical pelo IMPA permitem que o instrumento controle projeções e efeitos sonoros conforme o toque, a intensidade e o ritmo executados.
Inspirado no álbum “Boca do Tempo”, lançado pela Rocinante, o espetáculo percorre temas como tempo, memória, ancestralidade e resistência cultural. A obra também parte de experiências pessoais do artista, entre a perda do pai e o nascimento do filho.
O repertório inclui “Alga”, homenagem ao pai de Sergio; “Dongueragan”, que transforma a língua inglesa em matéria para uma percussão verbal brasileira; “Chica”, dedicada às mulheres criadoras, com referência a Chiquinha Gonzaga; e “Renegue Não”, que incorpora referências da Cabala e reflexões sobre injustiça e luta.
Pandeirista, compositor e pesquisador, Krakowski participou do movimento de revitalização cultural da Lapa no início dos anos 2000 e fundou o grupo Tira Poeira. Ao longo da carreira, trabalhou com artistas como Chico César, Lenine e Maria Bethânia, além de nomes internacionais como Anat Cohen, Gonzalo Rubalcaba e Lionel Loueke.
Com doutorado pelo IMPA e uma trajetória de mais de uma década em Nova York, o músico desenvolveu pesquisas na interseção entre música e tecnologia. “Boca do Tempo” também passou por residências artísticas em clubes de jazz nova-iorquinos e foi apresentado no Museum of Moving Image e no Museu Guggenheim de Bilbao.
No BNDES, Sergio Krakowski terá a participação de Batman Zavareze na criação visual, ampliando a relação entre o gesto do músico, o som produzido pelo pandeiro e as imagens projetadas no palco.