O que acontece quando o pífano brasileiro encontra a flauta bretã e o pandeiro entra nessa conversa? É desse encontro que nasce Sopro da Terra, espetáculo que reúne três músicos de trajetórias singulares em uma apresentação na Acaso Cultural, em Botafogo.
Carlos Malta, conhecido como “Escultor do Vento”, é saxofonista, flautista e criador do Pife Muderno, grupo que completa 30 anos. Ex-integrante do grupo de Hermeto Pascoal, com quem trabalhou durante 12 anos, o músico construiu uma carreira marcada pela pesquisa dos instrumentos de sopro, pela improvisação e pelo diálogo entre a música popular e a experimentação.
Ao seu lado está o francês Jean-Luc Thomas, que parte das tradições musicais da Bretanha, região do noroeste da França, para estabelecer conexões com o jazz, a música contemporânea e diferentes culturas do mundo. O trio se completa com Bernardo Aguiar, percussionista brasileiro integrante do Pife Muderno e fundador do Pandeiro Repique Duo, que já levou a percussão brasileira a palcos como o Carnegie Hall, em Nova York.
Doze anos depois do primeiro encontro e de uma turnê pelo Brasil, os três voltam a dividir o palco. Em Sopro da Terra, frevos e baiões se aproximam da gavota, dança tradicional bretã, em uma criação que combina flautas, pífanos, pandeiros, improvisação e elementos eletrônicos.
A proposta não é simplesmente juntar repertórios de diferentes países, mas descobrir novas possibilidades a partir de suas semelhanças e contrastes. Nesse diálogo, a tradição deixa de ser algo parado no tempo e ganha novos caminhos pela experimentação e pela troca entre os músicos.
O espetáculo acontece na Sala Acaso, espaço dedicado a concertos, shows e peças teatrais, com tratamento acústico e configuração que privilegia a proximidade entre artistas e público.