ARTE E CULTURA >> Teatro

  • Cartas a uma jovem poeta - De Drummond para Zuleika

    Da Redação em 17 de Março de 2021    Informar erro
    Local: Sympla
    DETALHES: De 19/03 a 11/04/21 | sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 18h | Sessão em libras nos dias 5 e 12 de abril, segundas-feiras, às 21h | Ingressos: R$ 10 (139 disponíveis), R$ 20 (100 disponíveis), R$ 30 (30 disponíveis) e R$ 50  (dez disponíveis)
     
    LINK: Clique aqui e visite o site
    Roberto Frota homenageia sua mãe, a poeta Zuleika Castro Moreira, e Carlos Drummond de Andrade no espetáculo "Cartas a uma jovem poeta", no qual joga luz sobre a correspondência entre esses dois poetas, guardadas por mais de 60 anos.
     
    A montagem conta com a participação de Denise Weinberg, a  direção de Marcos França e terá sessões virtuais em março.
     
    Entre 1949 e 1952, dois poetas mantiveram uma freqüente  troca de cartas que fomentou uma sólida amizade. Eles se encontraram pessoalmente uma única vez e, na ocasião, não foram além dos cumprimentos de praxe.
     
    Mas, nas missivas, confiavam poemas um ao outro e trocavam impressões sobre temas pessoais, da vida e, claro, sobre a arte da escrita. Os poetas em questão são o mineiro Carlos Drummond de Andrade e a carioca Zuleika Castro Moreira.
     
    Drummond tinha seus 50 anos e era já um autor respeitado (ainda que enfrentasse eventual resistência à sua poética inovadora). Zuleika tinha mais de 30 anos, era mãe de dois filhos, dos quais precisou se afastar em razão de uma tuberculose. As cartas foram confiadas a Roberto, um de seus filhos, quando ele completou 18 anos, e guardadas por mais de 60 anos. E virão agora a público. O Roberto em questão é o ator Roberto Frota, que, tocado pelas recentes transformações no mundo, idealizou a montagem de “Cartas a uma jovem poeta”.
     
    A encenação conta com a participação de Denise Weinberg e a direção é de Marcos França, que assina também o roteiro, cuja dramaturgia costura cartas do poeta a textos de Zuleika, esses interpretados por Weinberg. O projeto foi contemplado pelo edital “Retomada Cultural, da Lei Aldir Blanc, da SECEC, e terá sessões online, de 19 de março a 11 de abril, além de debates.
     
    Os dois poetas construíram uma amizade epistolar muito antes de as relações virtuais tornarem-se corriqueiras. No mundo de hoje, acossado pela pandemia, as trocas precisam ser remotas. Roberto Frota estará, por isso, na sala de sua casa. Terá a companhia de objetos cotidianos e, claro, da câmera que vai conectá-lo ao público.
     
    Ele dá voz às palavras de Drummond, entremeando-as a relatos sobre a vida de sua mãe. É comovente ver, aliás, um ator que, aos 82 anos e com 53 anos de carreira, alia-se a essa nova linguagem para continuar a fazer teatro. São muitas as relações das cartas com os dias de hoje. “Zuleika fica no sanatório como nós estamos, hoje, isolados nas nossas casas. A tuberculose era uma ‘sentença de morte’ como é a Covid-19. E o Drummond é o cara que, ao analisar a poesia da Zuleika, acaba por chamá-la à vida”, observa Marcos França.
     
    As circunstâncias podem levar a crer que partiu de Zuleika a iniciativa de escrever a Drummond, poeta renomado e certamente da sua admiração, mas foi justamente o contrário. E a aproximação entre eles foi provocada por um aborrecimento doméstico. Incomodado com uma goteira, o poeta foi atrás de um profissional que sanasse a questão – e isso levou-o a reencontrar uma velha amiga, Lya Cavalcanti, que apresenta ao amigo textos de sua irmã, Zuleika. O escritor viu no estilo dela “alguma coisa de tão identificado” com sua “maneira de ser e de sentir”. “Espero e desejo que continue a escrever poemas. Irá, sem o sentir, aprimorar a forma deles. Quem escreveu ‘quanta coisa perdida na escuridão da noite’ por exemplo, tem ainda muita coisa por dizer”, escreve Drummond em 9 de agosto de 1949, inaugurando a correspondência que se intensificaria a partir dali.
     
    Ainda que as cartas enviadas a Drummond tenham se perdido, os poemas de Zuleika foram preservados – e revelam muito de sua personalidade, tanto da poética quanto da humana. O público vai conhecer uma autora de dicção poética vigorosa e estilo personalíssimo, livre de sentimentalismos, como mostra o trecho a seguir: “Foi partindo em busca da morte\Que encontrei a vida\Foi fugindo a um sofrimento\Que encontrei meu destino\\Destino pálido de cansado poeta\Destino de mendigo (...) E a moeda que caiu foi a poesia”. 
     
    Já sobre Drummond, as cartas nos aproximam do lado humano desse que é um dos nossos grandes poetas. No recorte temporal que abarca o espetáculo, somos apresentados a diferentes aspectos do escritor. Há o Drummond que, ao se desculpar pela demora de uma resposta, em 11 de novembro de 1949, usa como justificativa o fato de sua filha, Maria Julieta, ter casado e se mudado para o exterior. “Sendo filha única e vivendo comigo na mais absoluta identidade intelectual, V. deve avaliar o que isso representa de solidão e saudade para mim”, justifica ele. Um ano depois, ele divide com a amiga a expectativa pela ida a Buenos Aires, naquela que ficou sendo a única vez em que esteve fora do país: “Como não tenho a alma viajeira, a perspectiva de um deslocamento no espaço e nos hábitos me arrepia todo”.
     
    Com a vinda do primeiro neto, mostra-se babão ao narrar, em fevereiro de 1951, sua atenção para com o pequeno: “pois me levanto de madrugada cinco seis vezes para retificar a posição do bebê na cama e recolocar-lhe a chupeta nos lábios, sem sentir a menor importunação...” Há também o Drummond piadista, uma surpresa em se tratando de um tímido notório. Em carta de 1951, o poeta se despede com anedota sobre o sonho em que uma moça recebe a visita de um rapaz de porte tarzânico. “Que é que V. veio fazer aqui?”, pergunta ela, arrancando dele o arremate: “Tudo que V. quiser, minha filha. O sonho é seu”.
     
    Em 1952, Zuleika tem alta do sanatório e volta para casa. A avó de Roberto organiza uma recepção para a filha, à qual Drummond é convidado. Trocados tímidos cumprimentos, cada um foi para um lado da sala e nenhuma conversa foi entabulada. O que ninguém desconfiava é que havia um pacto entre eles de a amizade estar restrita às cartas. Agora, graças a essa mágica que só o teatro é capaz, os dois poetas voltam a estar juntos. Esse (re)encontro será especial sob muitos aspectos. Será antológico para Roberto Frota e emocionante àqueles que amam Drummond. E comovente a todos que amam esse Brasil onde o afeto e a amizade são moedas correntes. Desse país não podemos nos esquecer.
    Idealização e atuação: Roberto Frota
    Dramaturgia e direção: Marcos França
    Atriz Convidada: Denise Weinberg
    Realização: Menino do Rio Produções Artísticas e Culturais
    Duração: 50 minutos
     
    >> Onde assistir: Sympla
     
    Classificação: livre
    Foto: Marcos França

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