O monólogo Mamão Papai propõe uma reflexão potente sobre outras possibilidades de existir como mulher, para além dos papéis socialmente impostos. Criado e protagonizado por Pâmela Côto, com direção de Carla Zanini, o solo faz temporada no Teatro Glaucio Gill entre os dias 9 de maio e 1º de junho, de sábado a segunda-feira, às 20h.
Após estreia em São Paulo, com destaque de público e crítica, o espetáculo recebeu indicações a prêmios nas categorias de melhor atriz e melhor música, incluindo a indicação de Pâmela Côto ao Prêmio Shell de melhor atriz.
Com colaboração dramatúrgica de Maria Isabel Iorio, a peça acompanha uma mulher que revisita memórias eróticas e afetivas em uma tentativa de reconstruir a relação com o pai após anos de silêncio e afastamento familiar.
Ao rememorar experiências atravessadas por afetos, desejos e diferentes formas de violência — sobretudo ligadas às figuras masculinas —, a protagonista reconstrói sua própria narrativa a partir de uma perspectiva ativa do prazer e da sexualidade. “A peça é uma ode à vida, ao direito de amar, de gozar e de celebrar”, afirma Pâmela.
A personagem se move em constante tensão contra uma feminilidade normativa e os papéis tradicionais de gênero. Enquanto busca alguma conexão com o pai — ausente desde a separação da mãe —, expõe as lacunas afetivas deixadas por essa relação interrompida. “Ela traz suas experiências como um grande jorro, um confronto”, comenta a atriz.
Com assistência de direção de Giuliana Maria e preparação de elenco de Felipe Rocha, a encenação aposta em uma relação direta entre atriz e plateia, alternando humor, vertigem e intensidade emocional. Para Carla Zanini, o espetáculo também investiga “a violência em sua dimensão menos óbvia: aquela que se manifesta no silêncio”.
O título Mamão Papai faz referência tanto ao fruto quanto à ideia de preencher ausências e reconstruir contornos afetivos fragmentados. A figura paterna surge como presença borrada, marcada simultaneamente por amor, abandono e ressentimento. Nesse contexto, as masculinidades retratadas no solo assumem dimensão alegórica, refletindo estruturas que atravessam as experiências femininas.
A iluminação de Sarah Salgado, o cenário de Celina Lira e o figurino de Andy Lopes constroem um espaço entre realidade e delírio, onde passado e presente se confundem. A trilha sonora criada por Mini Lamers e as projeções de Julia Ro ampliam as camadas sensoriais da narrativa, conduzindo o público pelo universo íntimo e complexo da protagonista.
Sinopse:
Mamão Papai é um solo de autoficção que investiga os vínculos entre prazer, trauma e identidade. Em um reencontro familiar, uma mulher atravessa memórias eróticas e afetivas na tentativa de se reconectar com o pai depois de anos de silêncio. Entre humor e vertigem, a peça reflete sobre amor, liberdade, sexualidade e os atravessamentos da masculinidade em uma vida feminina.
Ficha Técnica:
- Criação, Dramaturgia e Atuação: Pâmela Côto
- Direção: Carla Zanini
- Colaboração Dramatúrgica: Maria Isabel Iorio
- Interlocução Dramatúrgica: Amanda Lyra e Ivy Souza
- Assistência de direção e Preparação Corporal: Giuliana Maria
- Cenário e Direção de Arte: Celina Lira
- Iluminação: Sarah Salgado
- Figurino: Andy Lopes
- Trilha Sonora: Mini Lamers
- Preparação de atuação: Felipe Rocha
- Colaboração coreográfica: Débora Veneziani
- Videografia: Julia Ro
- Produção: Quebra Comunica | Pâmela Côto
- Produção Executiva: Karla Tenório
Duração: 60 minutos | Classificação: 16 anos