Com direção de Daniel Herz, o espetáculo “Pedro I” volta ao cartaz depois de elogios de público e de críticos ao resgatar a figura histórica para refletir sobre a eficácia do seu Governo, os atos impulsivos, o início da corrupção no Brasil e o machismo que sempre esteve presente em suas relações familiares.
O texto de Daniel Herz, João Campany e Roberta Brisson mistura elementos históricos e fictícios para lançar ao público a pergunta: o legado do Primeiro Império é realmente positivo?
Criada na sala de ensaio, a dramaturgia busca repensar a história do país ao revisitar os acontecimentos que construíram a sociedade brasileira. O texto tem influências do teatro de Luigi Pirandello e Bertold Brecht ao buscar o conflito a partir da relação entre dois personagens: um artista do século 21 e o Chefe de Estado do século 19.
Idealizador do projeto, o coautor e ator João Campany vive ambos os papéis, que se alternam a partir de um minucioso trabalho de voz e corpo. O artista também dá vida ao Dom Pedro I na série “Brasil Imperial”, disponível na Amazon Prime Video.
“A liberdade é diferente de independência. Dom Pedro proclamou a independência de um país em relação a outro, que o colonizava. Mas será que, com isso, ele realmente garantiu a liberdade das várias etnias que povoam o Brasil?”, questiona João Campany.
“Ao fazer uma reflexão sobre esse período histórico, procuramos entender de onde vem muitas questões que se apresentam até hoje pra nós, como o racismo e a misoginia, por exemplo. A ideia de relembrar para não repetir os erros do passado se une à necessidade de lutar, diariamente, por uma sociedade mais igualitária”, completa a coautora Roberta Brisson.
O drama acompanha a tentativa delirante de Dom Pedro retomar o poder em 2022. No processo, ele enfrenta um artista que questiona os seus valores e sua conduta em relação ao trono. Porém, este embate não é fácil. Dom Pedro é autoritário e o ator não pretende permitir que seu corpo seja veículo para este governante de caráter e conduta duvidosas. Quem vencerá?
“A peça imagina esse encontro inusitado entre D. Pedro e um ator de hoje, no meio do caos em que a gente vive. Como esse ator vai lidar com os valores e ideias de um imperador tão explosivo, envolvido em tantas polêmicas e atitudes controversas?”, questiona o diretor Daniel Herz. “Fazemos uma provocação a partir de pensamentos tão diferentes, e levamos à cena reflexões para a construção de um Brasil melhor”, acrescenta.
Texto: Daniel Herz, João Campany e Roberta Brisson
Direção: Daniel Herz
Atuação: João Campany
Cenário e figurinos: A Cecília Cabral
Iluminação: Aurélio de Simoni
Trilha sonora original: Pedro Nêgo
Consultoria histórica: Flávia Campany
Assistente de direção: Roberta Brisson
Fotografia: Patrick Gomes