A luta de classes costuma acontecer longe dos palcos, mas, nesta história, fica claro como o esforço de muitos sustenta o poder de poucos. É desse ponto que nasce CÃO, a primeira parceria entre os premiados grupos nordestinos Clowns de Shakespeare (RN) e Magiluth (PE), em cartaz no no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro.
Com direção de Fernando Yamamoto e Luiz Fernando Marques (Lubi), CÃO foi criada a partir de cinco residências artísticas realizadas entre Natal, Recife e Rio de Janeiro. Embora inspirado na tragédia shakespeariana “Coriolano”, a peça não busca adaptá-la. O que se vê em cena é uma fábula contemporânea atravessada por elementos do realismo fantástico, comicidade e música, marcas que se entrelaçam nas linguagens do Clowns e do Magiluth.
A trama acompanha um grupo de trabalhadores de eventos: técnicos, cenógrafos, produtores, mestres de cerimônia e seguranças que, após dias preparando um teatro para a posse de um recém-eleito líder em uma jovem república, recebe uma notícia que desmonta toda a cerimônia e os coloca num vertiginoso jogo de pressões, ordens e urgências incompreensíveis: a morte do novo governante.
É nesse momento que CÃO revela a capacidade de transformar o caos em comicidade. A partir daí, abre-se um sem-fim de situações rocambolescas, desdobramentos absurdos e peripécias hilárias que incluem confusões políticas, protocolos impossíveis, desmandos surrealistas e a necessidade de reorganizar tudo em poucas horas.
Em cena, quem dá corpo a essa engrenagem é o elenco composto por Caju Dantas, Diogo Spinelli, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Mário Sergio Cabral, Olivia León e Paula Queiroz, sob dramaturgia assinada por Giordano Castro e Fernando Yamamoto, com cenário de Fernando Yamamoto, Luiz Fernando Marques e Rogério Ferraz, direção de produção de Talita Yohana, figurino de Maria Esther, iluminação de Ronaldo Costa e dramaturgia sonora de Ernani Maletta.
Entre tropeços, correrias, confusões e descobertas, CÃO celebra aquilo que o teatro tem de mais vivo: rir da própria tragédia e seguir em frente, mesmo quando o protagonista morre antes mesmo de entrar em cena. O espetáculo também revela ao público o movimento dos bastidores e as urgências de quem precisa fazer tudo acontecer e, ainda assim, inventar poesia em meio ao caos.
ACESSIBILIDADE: Haverá interpretação em Libras e audiodescrição em apresentações com datas a confirmar.
FICHA TÉCNICA:
Direção: Fernando Yamamoto e Lubi (Luiz Fernando Marques)
Dramaturgia: Giordano Castro e Fernando Yamamoto
Elenco: Caju Dantas, Diogo Spinelli, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Mário Sergio Cabral, Olivia León e Paula Queiroz
Stand-in: José Medeiros
Figurino: Maria Esther
Cenário: Fernando Yamamoto, Luiz Fernando Marques e Rogério Ferraz
Adereços:
Boneca: Carlos Alberto Nunes, Mona Magalhães e Raibolt
Perna: Mona Magalhães e Raibolt
Taxidermia sintética: Vitor Martinez
Dramaturgia sonora: Ernani Maletta
Colaboração em palhaçaria: Ésio Magalhães
Projeto de iluminação: Ronaldo Costa
Engenharia de som: Gabriel Gianni
Realização: Ministério da Cultura e Centro Cultural Banco do Brasil e Governo Federal
Patrocínio: Banco do Brasil