Depois de uma temporada de sucesso, com sessões esgotadas no Teatro Oi Futuro, a Cia. Dos à Deux apresenta “Enquanto você voava, eu criava raízes” com André Curti e Artur Luanda Ribeiro no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto.
A entrada é franca mas o público deve levar um quilo de alimento não perecível, em prol do Retiro dos Artistas e da Associação dos Amigos da Infância com Câncer – Amicca. Os ingressos podem ser retirados na plataforma Sympla.
Nesse momento de instabilidade e fragilidade coletiva, os criadores mergulharam nos múltiplos medos que nos atravessam para, aos poucos, chegar a estados, sentimentos e emoções, a que deram o nome de “espaços íntimos de sensações”.
Este trabalho, diferente dos outros, se manifestou de forma quase mitológica, recuperando o ritualístico, resgatando do teatro elementos fortes que são da tragédia – o ritual, a perda, a morte, a separação. Cada ‘quadro’, num primeiro instante, impõe uma leitura metafísica, revelando símbolos que reverberam no inconsciente. É um espetáculo para ver com os ouvidos e ouvir pelos olhos”, conta Artur Luanda Ribeiro.
Entre o onírico e a realidade, “Enquanto você voava, eu criava raízes” não tem uma dramaturgia linear. Os corpos ora se juntam, ora se separam. São duas sombras que se fundem – como um oráculo dos sonhos que revela corpos suspensos e invertidos no espaço à beira do precipício. Como não sucumbir ao vazio? Como não cair? “Para mim, nesse espetáculo, ficamos na beira do abismo desde o início”, diz André. “São os abismos que temos dentro de nós, essa sensação de vazio permanente, de que há algo dentro se abrindo e um outro eu está caindo dentro da gente”, complementa Artur.
A Cia. Dos à Deux propõe que o público assista ao espetáculo como que através de uma lente de cinema. Por trás dessa tela que se assemelha a um portal, como se fosse um grande oráculo dos sonhos, Artur e André criaram narrativas visuais. Mas é por meio de seus corpos, da fisicalidade e da virtuosidade, que a ilusão acontece em cena. Criados pelo diretor de fotografia Miguel Vassy e pela artista plástica Laura Fragoso, as imagens projetadas em cena dialogam com a dramaturgia, assim como a música original criada por Federico Puppi.
A dupla de artistas continua sua pesquisa hibrida, criando interseções poéticas entre o teatro gestual, as artes plásticas, e o audiovisual. Uma experiência que nos convida a imergir em um caleidoscópio de sensações.
Direção, dramaturgia, cenografia, coreografia e performance: André Curti e Artur Luanda Ribeiro
Música original: Federico Puppi
Realização: Cia Dos à Deux
Capacidade: 98 lugares
Classificação etária: 18 anos
Distribuição de ingressos: pela plataforma Sympla
Disponíveis segundas-feiras, às 20h, para as apresentações da semana.