Com direção de Fernando Philbert, texto de Gabriel Chalita e com Paulo Gorgulho e César Mello encarnando as duas figuras icônicas, o espetáculo "Entre Franciscos - O Santo e O Papa” propõe ao público uma reflexão sobre a humanidade.
Um encontro utópico entre o Papa Francisco e São Francisco de Assis se transforma em uma conversa tocante e filosófica sobre o ser humano. O cenário é a lavanderia do Vaticano, espaço construído pelo Papa para atender à população de rua em Roma.
Um dia, sentindo-se cansado, ele entra no local e se depara com um homem, que percebe ser São Francisco de Assis. Nesse encontro inesperado entre Franciscos, o público é convidado a refletir junto com os personagens sobre questões pungentes dos tempos atuais.
Paulo Gorgulho interpreta o Papa Francisco e César Mello é São Francisco de Assis, nesta comovente história que é uma homenagem à sensibilidade e à humanidade dessas duas grandes e revolucionárias figuras que, além do nome, possuem muito mais em comum.
No novo espetáculo de um dos escritores mais lidos do país e autor de mais de 90 livros, a conversa entre o Santo e o Papa aborda principalmente os problemas do mundo e os caminhos tomados por nós, seres humanos.
O Papa se mostra cansado das dores do cotidiano e, à primeira vista, não reconhece o homem na lavanderia, mas aos poucos, vai percebendo sua grande sensibilidade e a semelhança das suas palavras com as de São Francisco.
O local torna-se, então, uma espécie de metáfora representando um espaço em que as dores da humanidade precisam ser, de certa forma, lavadas.
“Não é uma peça sobre uma religião, é uma peça sobre humanidade, sobre o amor que liga as pessoas ou sua ausência que traz tantas sujeiras. De um lado, temos São Francisco, um homem que decidiu dedicar sua vida ao exercício do cuidar, principalmente dos que ninguém queriam cuidar. Do outro, temos um Papa que é um exemplo de acolhimento, um homem que vive o evangelho em sua essência, que acolhe os vulneráveis e que se posiciona para construir um mundo de paz. São figuras carismáticas, revolucionárias e o espetáculo expõe o que seriam as visões de mundo de cada um”, revela Chalita, que também assina a idealização da peça.
Segundo o autor, a ideia surgiu a partir de uma conversa sobre invisibilidades, exclusão e sobre a grande desigualdade e os desafios que vivemos hoje.
“A referência da lavanderia vem questionar quais são os barulhos do mundo e os caminhos que estamos tomando, como guerras, conflitos, doenças… Por meio da dimensão humana desses personagens, a peça quer inspirar o público com reflexões do mundo contemporâneo”, explica o autor.
Nesse diálogo emocionante entre Franciscos, Fernando Philbert, responsável pela direção de aclamados espetáculos, optou pela simplicidade, investindo em um jogo de cena que valoriza a química entre Paulo Gorgulho e César Mello.
“Buscamos um caminho de humanidade dos personagens, ou seja, quais as questões, os problemas, os desejos que atravessam o Papa e São Francisco de Assis. O que lhes incomoda, o que estão buscando resolver. Essa proposta conduz os atores a não colocarem os personagens em um lugar etéreo, mas sim como homens, como pessoas normais que, assim como nós, também têm dúvidas e incertezas. Você poderia assistir essa peça e esquecer que é o Papa e São Francisco. São apenas dois homens”, afirma.
Elenco: Paulo Gorgulho e César Mello
Texto: Gabriel Chalita
Direção: Fernando Philbert
Cenografia: Natália Lana
Desenho de Luz: Vilmar Olos
Figurino: Karen Brusttolin
Trilha sonora: Gui Leal
Duração: 70 minutos.
Bilheteria oficial: Imply.com
117 lugares | Livre