O espetáculo "Casa invadida" conta a história de um casal, Dora e Zé, vividos por Soraia Arnoni e Sidcley Batista, que vagam sem dinheiro e sem destino em meio a um temporal após ter sua casa no morro levada por uma enxurrada.
Eles se deparam com uma casa vazia e resolvem se abrigar no imóvel. Pobres, impotentes diante da fatalidade, eles representam milhares de brasileiros. A casa vazia, caindo aos pedaços, em um primeiro momento, é vista com alegria, como uma bênção, um teto que vai lhes proporcionar um recomeço, mas depois eles descobrem que a casa, na verdade, já tem uma habitante: Argênida, uma figura misteriosa, vivida por Anita Terrana.
A mulher, com um discurso entre visionário e lunático, provoca crescente tensão no ambiente, trazendo à tona outras camadas da narrativa, revelando traços que conectam a vida de Dora e Zé ao contexto histórico da fundação e expansão da cidade até chegar na exposição do conceito de memória soterrada: coisas que não estão ocultas apenas da superfície da terra, mas também da memória coletiva.
A peça, construída em 2018 a partir da pesquisa para o trabalho de conclusão de curso da pós-graduação latu sensu em história e cultura africana e afro-brasileira, oferecida pelo Instituto Memorial Pretos Novos/AUSU, integra o livro Quatro Casas, publicado pela Editora Metanoia em 2020, que contém quatro textos de Cecília Terrana onde o tema da casa conduz a ação dramática: onde e como morar são as questões fundamentais e a metáfora para a reflexão sobre a sociedade brasileira.
Texto e direção: Cecília Terrana
Assistência de direção e fotografia: Cristina Froment
Elenco: Soraia Arnoni, Sidcley Batista e Anita Terrana
Cenário: Flávio Vidaurre