A Cia Les Trois Clés estreia no Rio de Janeiro o espetáculo Hystera, em temporada no Teatro Gláucio Gill, em Copacabana, até 1º de maio.
Com direção e dramaturgia de Eros P Galvão e apoio da FUNARJ, a montagem parte da experiência de uma mulher em trabalho de parto, em um contexto no qual cuidado e controle se confundem, para construir uma narrativa visual e sensorial sobre violência obstétrica, maternidade, saúde mental e poder sobre o corpo feminino.
Inspirado na palavra grega hystéra, que significa “útero”, o espetáculo conduz o público por um universo onírico em que memórias, traumas e violências atravessam a personagem central. Em cena, surgem figuras híbridas e corpos fragmentados que ampliam a reflexão sobre silenciamentos, abusos de poder e os estigmas historicamente associados ao feminino. A encenação articula teatro de formas animadas, linguagem corporal e música, privilegiando o gesto e a força das imagens.
Hystera é resultado de uma pesquisa de dois anos sobre corpo, imagem e estados de consciência. O primeiro desdobramento da obra surgiu em 2023, com a cena curta “República de Aiag”, apresentada no Seminário “Caminhos Junguianos – O corpo em movimento”, na Universidade Federal de São João del-Rei. No mesmo ano, o espetáculo estreou no Circuito Cultural UFMG, em Belo Horizonte, e seguiu aprofundando suas camadas dramatúrgicas a partir da recepção do público.
Segundo Eros P Galvão, a dramaturgia nasce de uma investigação desenvolvida há mais de 20 anos, centrada na construção plástica a partir dos bonecos, da visualidade, da música e da dança. A pesquisa também ganhou novos contornos durante o isolamento da pandemia de COVID-19, período que intensificou reflexões sobre presença, ausência e contato físico em cena. O espetáculo dialoga ainda com universos de autoras como Margaret Atwood, Mary Shelley e Nise da Silveira, em uma criação que tensiona os limites entre o íntimo e o político.
Após as apresentações dos dias 16 e 23 de abril, a companhia promove bate-papos com o público, ampliando a proposta de escuta, troca e reflexão sobre os temas abordados em cena.
Fundada em 2006, na França, por Eros P Galvão e pelo artista chileno Alejandro Nuñez, a Cia Les Trois Clés desenvolve um trabalho voltado para experiências sensoriais e expressivas, combinando corpo, bonecos, música e movimento. Ao longo de sua trajetória, a companhia apresentou espetáculos em festivais na Europa, Ásia, Chile, Nova Caledônia e Brasil, consolidando uma pesquisa artística voltada para questões contemporâneas e humanistas.
Na montagem carioca de Hystera, Eros divide a cena com o ator-performer Diirr, em uma criação que reafirma sua trajetória entre o teatro, a dança e as artes visuais, com foco em subjetividade, memória e questões de gênero.
Sinopse
Uma mulher grávida, prestes a dar à luz, transita entre imagens do feminino que oscilam entre a santidade e a histeria. Isolada por um médico que a considera delirante, ela é submetida a manipulações que geram distorções humanas. Em um ambiente povoado por figuras e sombras, a personagem constrói estratégias para elaborar e superar os abusos sofridos.
Direção e dramaturgia: Eros P Galvão
Elenco: Diirr e Eros P Galvão
Colaboração artística: Andrea Cruz (coreografia) e Cora Rufino (manipulação de bonecos)
Trilha sonora: Gabriel Ventura
Sonoplastia: Dori Santana
Iluminação: João Gaspary
Construção de bonecos: Lu Antunes
Bonecos em miniaturas - sombras: Alejandro Nunez
Figurino: Maia Flores
Visagismo: Maria Adélia
Cenografia: Mauro Carvalho
Operação de luz: Maia Flores
Operação som: Alejandro Nuñez
Produção: Géssica Santiago
Fotografia: Denise Coelho e Lu Antunes