Após passar por festivais internacionais e levar pela primeira vez a atriz Dja Marthins, de 83 anos, aos palcos de Portugal e Cabo Verde, o espetáculo “Mãe baiana” retorna ao Rio de Janeiro, no Teatro Glauce Rocha para apenas 2 apresentações a preços populares, nos dias 20 e 21 de junho, sábado às 19h e domingo às 18h.
Quando as pessoas são lembradas, elas não morrem”, disse a filósofa, escritora e professora Helena Theodoro nas conversas com as autoras Thais Pontes e Renata Andrade, que escreveram a dramaturgia de “Mãe baiana”, com direção de Luiz Antonio Pilar.
No palco, Dja Marthins e Luiza Loroza interpretam avó e neta que, ao viver um momento de luto em família, veem a relação entre as duas renascer. A peça, que joga luz sobre o papel poderoso e fundamental da mulher negra na sociedade. Para o diretor Luiz Antônio Pilar, a concepção de “Mãe baiana” nasce da proposta do texto. Nele, estão os conflitos de gerações e de conceitos entre uma jovem mulher de seus 20 e poucos anos e sua avó, octogenária.
O espetáculo faz parte da “Trilogia Matriarcas”, ao lado de “Mãe de santo” e “Mãe preta”, idealizado pela atriz Vilma Melo e o produtor cultural Bruno Mariozz. A peça parte da perda de um filho, fato que Helena Theodoro viveu quando seu menino de quatro anos morreu afogado. Apesar da premissa triste, as autoras preocuparam-se em não pesar o espetáculo, até porque a personagem da avó – assim como a autora – sofre, mas entende a morte. No início, a neta não compreende, mas passa a entender ao longo da história.
Todo o pensamento da filósofa e primeira doutora preta do Brasil Helena Theodoro passa por suas experiências pessoais e afirma o princípio feminino preto com todas as suas possibilidades de existir, conservar, transformar e melhorar o mundo.
“Esse espetáculo é sobre relações – sobre relação de avó e neta, relação com a morte, com a cozinha, com a religião. A gente vai se transformando nos nossos, a gente vai se vendo... Escrever com a Renata Andrade foi um doce exercício de memórias, em que fomos lembrando histórias das nossas famílias”, conta Thais Pontes, que recorda as conversas com a avó durante as madrugadas na cozinha de casa.
“Um conflito que não significa necessariamente violência ou brigas, mas as diferenças de ideias de tempos que já passaram. São dois mundos diferentes que hoje estão no mesmo espaço”, analisa o diretor, que fala também sobre a perspectiva racial da montagem. “Me ressinto com a dramaturgia nacional que quando vai falar do negro, principalmente o urbano, é sempre no conflito da violência. A questão nunca é contraditória ou está na diferença de perspectiva. É sempre no jovem negro matando ou morrendo, da família desconstruída, da falta de afeto. Em ‘Mãe baiana’ o conflito está inserido numa sociedade cotidiana e na família geracional, constituída por mulheres, convivendo no mesmo espaço”, finaliza Pilar.
O cenário criado por Renata Mota e Igor Liberato é composto por ambientes de uma casa, divididos entre sala, cozinha e quintal, onde avó e neta conversam, cozinham e recordam as histórias da família. No quintal, são usados dez quilos de terra e de sementes de girassol.
Todas as sessões terão acessibilidade, com os recursos de libras e audiodescrição.
Ficha técnica:
Argumento: Helena Theodoro
Texto: Thaís Pontes e Renata Andrade
Direção: Luiz Antonio Pilar Elenco: Dja Marthins e Luiza Loroza
Direção Musical: Wladimir Pinheiro
luminação: Anderson Ratto
Figurino: Clívia Cohen
Cenário: Renata Mota e Igor Liberato
Venda online: Sympla
Funcionamento da bilheteria: quarta a domingo, 14h às 19h
Capacidade: 204 lugares
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 60 min
Redes sociais: @maebaiana.teatro