O que significa buscar uma relação amorosa saudável nos dias de hoje? Essa é a pergunta que move “Heterotopia – O amor existe, mas a que custo?”, espetáculo que estreia em 12 de junho, Dia dos Namorados, no Teatro Café Pequeno, no Leblon.
Com temporada até 28 de junho, a comédia utiliza humor, cultura pop e música para refletir sobre os desafios dos relacionamentos heterossexuais contemporâneos.
Idealizada, escrita e protagonizada por Bruna Sigmaringa e Cristina Mascarenhas, a montagem tem direção e colaboração dramatúrgica de Alessandra Carvalho. A peça surgiu a partir de reflexões das artistas sobre como estruturas machistas continuam presentes nas relações afetivas e nos espaços de convivência.
A trama acompanha duas mulheres em busca de uma espécie de “utopia hétero”, um lugar imaginário onde relações equilibradas, saudáveis e generosas seriam possíveis. Ao longo da jornada, porém, elas se deparam com situações que revelam as contradições, expectativas e frustrações da vida amorosa contemporânea.
A dramaturgia foi construída a partir de relatos autobiográficos, histórias compartilhadas por amigas, improvisações e observações do cotidiano. O resultado é uma sequência de esquetes costuradas por duas personagens futuristas que atravessam aplicativos de relacionamento, encontros fracassados, contos de fadas e situações absurdas enquanto analisam diferentes perfis masculinos.
Entre humor e crítica social, o espetáculo apresenta personagens inusitados, princesas empoderadas, cientistas improváveis, figuras inspiradas em mitologias e uma heroína criada para abordar o prazer feminino com irreverência. A proposta é discutir questões contemporâneas sem abrir mão da comicidade e da identificação com o público.
A encenação aposta em uma estética dinâmica, com múltiplos personagens interpretados pelas duas atrizes por meio de rápidas transformações em cena. A cenografia minimalista é complementada por projeções audiovisuais, vídeos e recursos digitais que ampliam os universos apresentados ao longo da narrativa.
A montagem também utiliza inteligência artificial na criação da personagem que conduz simbolicamente parte da história. A voz é da influenciadora Jaque Conserta, conhecida nas redes sociais por seus conteúdos sobre machismo cotidiano e autonomia feminina.
Apesar de abordar frustrações, desencontros e desafios afetivos, “Heterotopia” aposta na amizade, no humor e na possibilidade de seguir acreditando nas relações humanas, mesmo diante das imperfeições da vida real.
Ficha Técnica:
Idealização, dramaturgia, atuação e produção: Bruna Sigmaringa e Cristina Mascarenhas
Direção e colaboração dramatúrgica: Alessandra Carvalho
Assistência de direção: Fernanda Brandt
Cenografia e figurino: Bea Simões
Sonoplastia: Thais Tomaz
Iluminação: Yasmim Lira
Colaboração em direção de movimento: Bárbara Abi-Rihan
Sinopse
Duas pessoas embarcam em uma jornada em busca de uma “utopia hétero”, um lugar onde relações saudáveis e equilibradas finalmente seriam possíveis. Entre encontros, desencontros e situações absurdas, elas investigam os desafios dos relacionamentos contemporâneos e descobrem que talvez a perfeição amorosa seja apenas uma fantasia.
Classificação: 16 anos
Duração: 80 minutos
Lotação: 90 pessoas