Os pensamentos de mais de 30 nomes sobre as idiossincrasias humanas estão reunidos em Guerras, primeiro monólogo de José Karini, com o qual o ator celebra 30 anos de carreira. Essas falas compõem um roteiro dramatúrgico assinado por Sidnei Cruz para o espetáculo, cuja direção é de Renato Carrera.
As guerras acompanham o homem desde tempos imemoriais. Através delas, nações e regras se estabeleceram. Isso tudo a um preço: a perda de populações e a de bens culturais, apagados da História.
A palavra guerra ganhou novos conceitos. O mundo contemporâneo é rico em exemplos que vão (muito) além da disputa territorial e política entre Rússia e Ucrânia. As guerras são também entre ideologias e facções, culturais e existenciais. Os pontos de vista são pautados por ideias e externados pela fala, gerando discursos.
A encenação conta com direção de arte de Daniel de Jesus.
Essas falas foram retiradas de discursos, entrevistas, obras literárias e letras de músicas, entre outras fontes, de nomes – a maioria relacionada à Cultura Ocidental e atuante entre os séculos XX e XXI – de diferentes correntes ideológicas que refletem sobre os conflitos e as vicissitudes humanas.
O mais antigo deles certamente é Jesus Cristo, cujas ideias, propagadas por seus apóstolos, têm forte tom humanista. A lista inclui ainda Mahatma Gandhi (1869-1948), símbolo do pacifismo no mundo, pensadores como Einstein (1879-1955) e Gilles Deleuze (1925-1995), lideranças políticas como Fidel Castro (1926-2016), o primeiro-ministro britânico Winston Churchill (1874-1965), o presidente russo Putin e grandes nomes das artes como Charles Chaplin (1889-1977), Caetano Veloso e Chico Buarque, entre outros.
A partir da junção desses discursos surge um novo, justamente o dramatúrgico, criado a partir do conceito literário do sampler – e o que é ele afinal? O sampler revolucionou a indústria fonográfica, nos anos 1980, por inserir numa gravação fragmentos sonoros, que podem ir do canto ao trecho de um arranjo.
Nas artes, a ideia de samplear seria colocada em prática antes até do advento tecnológico. E o Brasil tem exemplos já nos anos 1970: a poesia de Waly Salomão (1943-2003) e o show “A cena muda”, de Maria Bethânia, revolucionário pelo roteiro composto por fragmentos de canções.
A costura entre os discursos ganha ainda mais corpo através do olhar do diretor Renato Carrera, indicado aos mais importantes prêmios teatrais do país e ao lado de quem Karini aprofunda a parceria iniciada com “Vestido de noiva”, de Nelson Rodrigues (1912-1980), que deu ao diretor o Prêmio Questão de Crítica em 2013. A parceria passa ainda pelos espetáculos “Malala, a menina que queria ir para a escola”; “Ielda - Comédia trágica”; “Por detrás de ‘O Balcão’” e, mais recentemente, pela montagem de “O Balcão”, de Jean Genet (1910-1986).
E, unidos, levam à cena a concretização de ideias que, em comum, versam sobre aspectos político, artístico e existencial da vida. No corpo, na voz e no entorno do intérprete transparecem os diferentes tipos de guerras – políticas, culturais, sociais e internas – com as quais temos de lidar cotidianamente. Desde que o mundo é mundo.
Ficha técnica:
Atuação: José Karini
Direção: Renato Carrera
Dramaturgia: Sidnei Cruz
Direção de Arte, Figurino, Cenário e Programação Visual: Daniel de Jesus
Iluminação: Leandro Barreto
Assistência de Direção: Jean Marcel Gatti
Trilha Sonora: Renato Carrera e Jean Marcel Gatti
Preparação Corporal: Simone Nobre
Fotos: Sabrina da Paz
Mídias Sociais: Lucas Gouvêa
Assessoria de Imprensa: Christovam de Chevalier
Direção de Produção: Renato Carrera
Produção Executiva: Renan Fidalgo
Colaboração Trilha Sonora: Adriano Sampaio
Sinopse: Com direção de Renato Carrera, José Karini atua no monólogo – o primeiro em 30 anos de carreira --, no qual junta, a partir do conceito do sampler, falas de mais de 30 personalidades mundiais sobre conflitos da vida humana, motivados por questões políticas e existenciais.
Informações: ccbbrio@bb.com.br | bb.com.br/cultura
Duração: 60 minutos
Classificação etária: 14 anos