No mês do aniversário de Nara Leão, o musical NARA – A MENINA DISSE COISAS volta para apresentações no Rio de Janeiro e em Niterói. Em cena, Aline Carrocino e Marcos França revivem personagens marcantes em texto de Hugo Sukman e do próprio França.
O musical canta e conta a tragetória da cantora multifacetada Nara Leão, que saiu de cena em 1989, após lutar por anos contra um aneurisma. Idealizado pelo jornalista Christovam de Chevalier, a montagem tem direção artística de Priscila Vidca e musical de Guilherme Borges.
O texto aborda momentos marcantes da vida da artista entremeando-os com mais de 15 canções, todas significativas do seu repertório. O ponto de partida é um show de Carlos Lyra em idos dos anos 80, quando o cantor é surpreendido pela presença de Nara na platéia. Ela sobe ao palco e, na hora de cantar, tem um dos seus lapsos de memória, mais e mais comuns. Essa característica é o artifício para a primeira das muitas mudanças de tempo na trama. E a vida da cantora começa a ser esmiuçada, sem, contudo, seguir uma ordem cronológica.
Entre as passagens, sua emancipação aos 16 anos (seu pai defendeu a independência feminina), seu encontro com Ronaldo Bôscoli, com quem romperia relações em seguida (e consequentemente com a bossa nova), a descoberta do aneurisma, sua aproximação do samba de morro, das canções de protesto, da Tropicália e o exílio na França, de onde, volta apaziguada com a bossa nova e com outros clássicos do cancioneiro brasileiro, os quais visitaria já consagrada.
Nara tinha o hábito de anotar alguns de seus sonhos num caderno. E parte desses registros também foi usada pelos autores, que os costuram a declarações da artista, muitas delas à grande imprensa, além de fontes outras como o poema escrito por Carlos Drummond de Andrade para a cantora – e do qual os autores tiraram o título para o musical. Drummond é, aliás, um dos muitos personagens interpretados por Marcos França, que dá voz também ao pai de Nara e a nomes como Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli, entre outros tantos.
O roteiro inclui canções como “Primavera” (Lyra e Vinicius), “Carcará” (João do Vale, do emblemático show “Opinião”), “Se é tarde me perdoa” (Lyra e Bôscoli) e canções daquele que foi o compositor mais presente no repertório da intérprete: Chico Buarque. São músicas como “João e Maria”, “Soneto”, “História de uma gata” (do musical “Os saltimbancos”, apresentado no hoje extinto Canecão) e, claro, “A banda”, a primeira das muitas canções que gravaria do autor. O compacto com essa música, vale dizer, vendeu 50 mil cópias – feito que desbancou Frank Sinatra na época.
Desbancar o cantor favorito de Bôscoli foi apenas um dos muitos feitos de Nara Leão. Uma cantora que abriu portas para suas colegas de geração e às vindouras. Uma mulher que não se deixou calar ou abater – nem nos seus momentos finais.
ROTEIRO MUSICAL
- Você e eu (Carlos Lyra / Vinicius de Moraes)
- Primavera (Carlos Lyra / Vinicius de Moraes)
- Desafinado (Tom Jobim / Newton Mendonça)
- Deus vos salve esta casa santa (Caetano Veloso / Torquato Neto)
- Lindonéia (Caetano Veloso / Gilberto Gil)
- Se é tarde me perdoa (Carlos Lyra / Ronaldo Bôscoli)
- Cabra macho (Guto / Mariozinho Rocha)
- Como será o ano 2000? (Padeirinho)
- Little boxes (Malvina Reynolds / versão Nara Leão)
- Opinião (Zé Keti)
- Vence na vida quem diz sim (Chico Buarque / Ruy Guerra)
- A banda (Chico Buarque)
- Soneto (Chico Buarque)
- Carcará (José Cândido / João do Vale)
- João e Maria (Chico Buarque / Sivuca)
- Mambembe (Chico Buarque)
- A saudade mata a gente (Antônio Almeida / João de Barro)
- História de uma gata (Luis Enrìquez Bacalov / Sergio Bardotti / adaptação Chico Buarque)
- Além do arco-Íris (Harold Arlen / E.Y.Harburg / versão Nara Leão)
- Diz que fui por aí (Hortênsio Rocha / Zé Keti)
Duração: 70 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Idealização: Christovam de Chevalier
Dramaturgia: Hugo Sukman e Marcos França
Direção: Priscila Vidca
Direção Musical: Guilherme Borges
Elenco: Aline Carrocino e Marcos França
Fotografia: Janderson Pires
Músicos: Ralphen Rocca (violão/guitarra), Guilherme borges (teclado), Erick Soares/Victor Gonçalves (sopros), David Nascimento (baixo acústico), Leo Bandeira (bateria)
Iluminação: Paulo César Medeiros
Cenário: Pati Faedo