Inspirado nos mistérios do universo e nos movimentos que regem tanto os corpos quanto os astros, o espetáculo “No Entanto, Ela se Move” estreia em 4 de junho no Mezanino do Sesc Copacabana. Com direção de Dadado de Freitas, dramaturgia de Pedro Kosovski e idealização de Juracy de Oliveira, a montagem une teatro e dança em uma investigação poética sobre movimento, tempo e existência.
A peça marca ainda o retorno da bailarina, coreógrafa e diretora de movimento Márcia Rubin aos palcos como intérprete após 15 anos. Em cena, ela divide o espaço com Juracy de Oliveira, em um trabalho que transita entre linguagem teatral, dança contemporânea e ficção científica.
O título faz referência à frase atribuída a Galileu Galilei após sua condenação por defender que a Terra se movia em torno do Sol. A partir dessa inspiração, o espetáculo propõe uma reflexão sobre tudo aquilo que permanece em movimento, do corpo humano aos corpos celestes.
A concepção da obra nasceu de um processo coletivo entre elenco, direção e dramaturgia, relacionando teatro, dança e ciência. A montagem convida o público a voltar o olhar para o cosmos como forma de refletir sobre a própria condição humana e sobre a sociedade contemporânea.
Em cena, os movimentos dos intérpretes ecoam fenômenos astronômicos como órbitas, gravidade e deslocamentos estelares, criando uma conexão entre o infinitamente pequeno e o infinitamente grande. Recursos sonoros, visuais e corporais ajudam a construir uma experiência sensorial que aproxima poesia e conhecimento científico.
A equipe criativa reúne nomes de destaque da cena contemporânea. Dadado de Freitas recebeu o Prêmio Shell de Direção por “Arqueologias do Futuro”, enquanto Pedro Kosovski acumula importantes reconhecimentos como os prêmios Shell, APCA, Cesgranrio e APTR. A direção musical é assinada por Beà Ayòóla.
O espetáculo também dialoga com a trajetória de Márcia Rubin, que celebra 40 anos de carreira. Parte da movimentação criada para a montagem foi inspirada em coreografias desenvolvidas pela artista ao longo de sua trajetória, transformando sua memória corporal em elemento dramatúrgico.
Durante o processo de pesquisa, os artistas visitaram a Grande Luneta Equatorial de 46 centímetros do Observatório Nacional, considerada o maior telescópio do Brasil. As fotografias de divulgação, assinadas por Rodrigo Menezes, foram realizadas no local, reforçando a relação entre arte, ciência e observação do universo presente na obra.
Ficha Técnica
Dramaturgia: Pedro Kosovski
Direção Artística: Dadado de Freitas
Elenco: Juracy de Oliveira e Márcia Rubin
Direção de Movimento: Márcia Rubin
Direção de Arte: Júlia Vicente
Direção Musical: Beà Ayòóla
Iluminação: Dadado de Freitas
Idealização: Juracy de Oliveira
Realização: Porto Bello Filmes
Sinopse
Duas pessoas estão embarcadas. Em trânsito, observam forças que constroem e colapsam mundos. Entre elas acontece uma transmissão: dançar aquilo que as constitui, a matéria ínfima, vestígio de uma explosão estelar. Como em uma ficção científica, ensaiam um gesto capaz de desviar o curso da Terra.