O cachorro que se recusou a morrer deriva de suas memórias e das histórias contadas por seu pai: um imigrante libanês em sua luta pela sobrevivência numa terra estranha.
Conflito, êxodo, o novo mundo, casamento por encomenda, saúde mental afetada, são conteúdos que, como um mascate andarilho, o ator mambembe carrega em sua mala e que pretende vender ao seu público. Dessas referências nasce um contato intimista e revelador entre artista, teatro e espectador.
– Quero lhes apresentar essa história porque acredito que ela cumpre a função essencial do Teatro: emocionar e provocar uma reflexão sobre a condição humana. O cachorro que se recusou a morrer uma nova forma de narrativa, mais simples, mais contida e essencial. Meu foco, aqui, é a alma do texto. O diálogo com o público. Por trás de uma cena de família (da minha família), muitos aspectos da cultura árabe – alguns deles em gritantes conflitos com os costumes brasileiros – precisam ser revisitados. Começando pela submissão da mulher, a intolerância religiosa, o poder tribal do patriarca –, declara Samir Murad.
Um casamento por encomenda e uma tríade formada pelo pai, a mãe e a irmã mais velha, afetada mentalmente (inclusive por internações) pelo casamento sem amor dos pais. Marcas que não desvanecem e perpassam por toda a relação familiar do autor-ator, extraídas não apenas de suas memórias, mas de relatos gravados por seu próprio pai antes de falecer.
Conflitos que estão em cada um de nós e ajudarão a resgatar sentimentos no público, por meio de recursos cênicos despojados, apoiados principalmente pelo trabalho de corpo e voz do ator. Assim o texto oscila entre o drama e o humor, trazendo à cena uma cultura machista, forjada em dogmas religiosos que até hoje permeiam a maioria dos lares brasileiros.
Em alguns momentos, projeções mesclam imagens criadas com fotos reais antigas, assim como da casa onde tudo se passou, o que acentua o clima dos escombros da memória. A forte presença da trilha sonora, marca a cultura árabe familiar. Não faltam ao espetáculo os gestos, a mímica e as pantomimas que emprestam emoção à palavra.
Com vistas a promover a aproximação de libaneses e judeus, em uma ação social que tem o Teatro como veículo de discussão para uma temática comum a ambos os povos, que é a imigração e o consequente choque de culturas, no início de fevereiro o espetáculo realizará três apresentações na Associação Sholem Aleichem - ASA, onde abriga um rico e vasto movimento cultural sempre com temas atuais que promovem discussões sobre o panorama sócio-político e cultural de nossa cidade e por extensão do país. Reforçando essa tendência o espetáculo abrirá um debate público após cada sessão com convidados especializados para o colóquio.
O cachorro que se recusou a morrer estreia no dia 6 de janeiro, no Teatro Brigitte Blair, em Copacabana, próximo a Estação Cantagalo do Metrô. A partir de fevereiro, o espetáculo será apresentado em circulação pelo Município e Estado do Rio de Janeiro.
Criação, texto e atuação: Samir Murad
Direção: Delson Antunes e Samir Murad
Cenografia: José Dias
Figurino e adereços: Karlla de Luca
Iluminação: Thales Coutinho
Trilha Sonora: André Poyart e Samir Murad
Videocenário: Mayara Ferreira
Fotos: Fernando Valle
Temporada: 6, 13, 20 e 27 de janeiro, sextas-feiras, às 20h
Local: Teatro Brigitte Blair
Endereço: Rua Miguel Lemos, 51-H, Copacabana
Informações: 21 2521-2955
Valor do ingresso: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia-entrada)
Vendas na bilheteria do Teatro ou pelo site https://www.sympla.com.br
Capacidade de público: 200 pessoas
Classificação: Não recomendado para menores de 10 anos.
Duração: 75 minutos
Circulação pelo Edital Retomada Cultural RJ2
Dias 3, 4 e 5 de fevereiro, sexta, sábado e domingo, às 19h
Local: Associação Sholem Aleichem - ASA
Endereço: Rua São Clemente, 155, Botafogo
Informações: 21 2535-1808
Estacionamento no local.
Ingressos grátis.
Dias 10 e 11 de fevereiro, sexta e sábado, às 19h
Local: Teatro Popular Oscar Niemeyer
Endereço: Rua Jornalista Rogério Coelho Neto, s/nº, Centro, Niterói.
Estacionamento rotativo ao lado do Teatro.
Capacidade de público: 350 pessoas
Ingressos grátis.