Inspirado em situações reais de violência contra a mulher, o espetáculo “O Último Dia” está em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal, na Cinelândia, e promove, no dia 15 de abril, uma roda de conversa após a sessão.
O encontro contará com a participação de Anielle Franco, doutora em linguística pela UFRJ, mestre em letras pela UERJ e jornalista, e da psicóloga social e do trabalho Eliana Sorrini. A mediação será do advogado Rene Freitas, com atuação exclusiva na defesa de mulheres.
Baseada no livro homônimo de Mariana Reade e Wagner Cinelli, a peça lança luz sobre os ciclos de controle, medo e violência que atravessam relacionamentos abusivos. A narrativa acompanha a trajetória de Luana, uma mulher que vê sua relação se transformar gradualmente em um ambiente de opressão, evidenciando como o abuso costuma se instalar de forma progressiva e naturalizada.
Com idealização de Ana Capella e direção de Paulo Reis, a encenação aposta em uma dramaturgia direta e sensível, evitando o sensacionalismo e privilegiando a escuta e o confronto emocional. O espetáculo propõe uma reflexão sobre uma realidade que atravessa gerações, classes sociais e territórios.
Dados recentes reforçam a urgência do tema: em 2025, o Brasil registrou 1.568 feminicídios — o maior número dos últimos anos.
“O Último Dia”, que fica em cartaz até o dia evidencia que o feminicídio é o desfecho extremo de uma longa sequência de abusos. Ao colocar o público diante dessa escalada, a obra amplia o debate sobre as múltiplas formas de violência e suas permanências no cotidiano.
Texto: Mariana Reade e Wagner Cinelli
Direção: Paulo Reis
Elenco: Tainá Senna, Ana Carbatti, Julia Tupinambá e Eduardo Hoffmann
Cenografia: José Dias
Figurinos: Rosângela Nascimento
Produção: Ana Capella e Guilherme Nanni (Nanni Produções Artísticas)
Sonoplastia: Jojo Rodrigues
Iluminação: Brisa Lima