Baseada na obra do do dramaturgo absurdista Eugène Ionesco, a peça “rINOCERONTEs” apresentada pelo Coletivo Errante trata de temas como manipulação da informação, discursos de ódio e despersonalização.
Com direção de Luiza Rangel e orientação de Eleonora Fabião, a montagem é composta por jogos que invertem a lógica cotidiana da cena. No palco, oito atores investigam corpo, transformação, imagem, monstruosidade e absurdo após um rinoceronte invadir a cidade e desencadear uma série de estranhas metamorfoses, em que os seres humanos se transformam em bichos selvagens.
Vencedora do Prêmio Yan Michalski (Questão de Crítica) nas categorias Ator (Davi Palmeira) e Especial (Arte Sonora) e do Festival Internacional de Teatro de Blumenau – FITUB – nas categorias Espetáculo, Direção, Ator (André Locatelli e Davi Palmeira) e Desenho Sonoro, “rINOCERONTEs” investiga a dramaturgia de Eugène Ionesco, criando diálogos com o momento atual. O texto é dos anos 1960, uma época marcada por uma forte disseminação de regimes totalitários na Europa. Segundo relatos, o autor escreveu a obra quando um número grande de seus colegas aderiu a movimentos fascistas.
A diretora Luiza Rangel considera o texto bastante atual por tratar de temas como manipulação da informação e a proliferação de discursos de ódio. “Não é na passagem do rinoceronte pela cidade, ou mesmo na metamorfose, que reside o absurdo. É na desumanização devastadora que se revela na construção da cena e na evolução do espetáculo. Muita coisa aconteceu no Brasil, politicamente falando, nos últimos anos. Quais são os rinocetontes da nossa atualidade?”, questiona a diretora. “Mergulhamos no Ionesco observando as imposições invisíveis de controle, a intensa massificação, a guerra de informações e a priorização do objeto em detrimento do humano. O desejo, nesta montagem, é despertar reflexões sobre regimes de relação e de convívio”, completa.
Nascido dentro do curso de Direção Teatral da UFRJ, o espetáculo é dividido em três atos. Cada um deles é marcado por uma atmosfera específica, intensificada pelos efeitos de luz, pela composição sonora – manipulada ao vivo a partir da captura de sons do próprio espaço de apresentação – e pelo uso do plástico como elemento disparador de experiências sensoriais.
SINOPSE – Dois amigos marcam um encontro em um café. A conversa é interrompida por um estrondoso ruído de animal. Um rinoceronte invade a cidade e desde então começam a acontecer estranhas transformações. Ser rinoceronte torna-se o desejo daqueles que ainda se encontram em estado humano.
Foto: Maíra Barillo