Entretanto, outros ambientes que às vezes passam despercebidos pela maioria das pessoas, como botequins, pensões, sindicatos, cortiços, depósitos, hotéis para rapazes solteiros e até uma carvoaria, serviram como elementos propulsores para a criação do espetáculo.
Nesse perímetro de menos de um quilômetro moraram figuras como Carmen Miranda, Manuel Bandeira, Madame Satã, Jacob do Bandolim e Chiquinha Gonzaga, e por ali também circularam Noel Rosa, Sinhô, Iberê Camargo e Cândido Portinari.
Esse mesmo espaço foi marcado por diferentes ciclos históricos e transformações. Do final do século XIX para o XX, passaram a coexistir dois ambientes na Rua Joaquim Silva. Um diurno de característica familiar e um noturno, que com o tempo tornou-se um dos atrativos mais importantes da cidade.
A partir de 1915 alguns casarões foram ocupados por cabarés. Nascia então, uma nova Lapa: de crimes, de boemia desenfreada, de malandragem, de sambistas e desordeiros perigosos.
Logo em seguida veio o processo de gentrificação da região central com as reformas urbanísticas de Pereira Passos, o status de bairro da noite, e anos mais tarde a decadência.
Após os anos 90 muita coisa mudou, e houve um redescobrimento do bairro através das manifestações populares que ali aconteciam, como o samba, o hip hop e a criação da Escadaria Selarón pelas mãos do pintor e ceramista chileno Jorge Selarón.