Pela primeira vez no Rio de Janeiro, a Cia La Vaca apresenta no Sesc Copacabana o solo Homens Pink, com dramaturgia, direção e atuação de Renato Turnes.
Celebrar a ancestralidade da comunidade LGBTQIA+, abordando aspectos da vida de homens gays acima de 60 anos, é o eixo do solo de teatro documentário Homens Pink.
Homens Pink se origina num documentário onde Renato Turnes começa a entrevistar 9 homens gays acima de 60 anos que, numa conversa franca, divertida, com vários momentos da vida política e histórica do Brasil, também falam sobre infância, sexualidade e a vida na maturidade.
Há também reflexões sobre a AIDS, que todos foram testemunhas, mostrando como os homens gays sobreviveram ao vírus HIV e também ao estigma da sociedade.
Durante a temporada no Sesc Copacabana, a Companhia disponibilizará o filme documentário gratuitamente em seu canal do Youtube (cialavaca), com versões acessíveis em LIBRAS e Audiodescrição. A ideia é que o público possa conhecer os “Homens Pink” e expandir a própria experiência.
Em 2020 e 2021 foi exibido em festivais online por causa da pandemia. Um dos festivais foi em Bangkok, na Tailândia. O doc conquistou Prêmio Especial do Júri no DIGO - Festival Internacional de Cinema da Diversidade Sexual e de Gênero – 2020 e o Prêmio de Melhor Média Metragem no Arquivo em Cartaz - Festival Internacional de Filmes de Arquivo 2020.
“Na época de minha adolescência, tinha uma geração mais velha que já era conectada com o universo LGBTQIA+. Eles sabiam as melhores músicas, tinham mais conhecimento da moda, eram um modelo para nós, mais jovens. Com o passar dos anos, comecei a questionar por onde andavam essas pessoas e iniciaram-se reflexões sobre o processo de envelhecimento e invisibilidade. O fato de não se sentir mais confortável em certos ambientes. Assim como toda a sociedade, esta comunidade também é atingida por não estar mais nos padrões de beleza e consumo. Foram encontrados momentos de convergência como a explosão da epidemia da AIDS. São narrativas que se distanciam e se tocam ao mesmo tempo”, ressalta o ator, de 49 anos.
Durante a pesquisa, Renato Turnes encontrou, em São Paulo e em Florianópolis, nove homens gays dispostos a compartilhar com ele suas memórias: Carlos Eduardo Valente, Celso Curi, José Ronaldo, Julio Rosa, Eduardo Fraga, Luis Baron, Tony Alano, Paulinho Gouvêa e Wladimir Soares. Fotos, projeções e objetos dos próprios entrevistados compõem os elementos de cenário e figurino que remetem a luz e escuridão, características que reforçam o tom agridoce do espetáculo em meio aos fragmentos narrativos.
Renato Turnes tem 49 anos. É ator, diretor de teatro e cinema, roteirista e documentarista. Como ator se destacou com a criação da “Trilogia Lugosi”, série de solos de terror a partir de textos de Poe, Lovecraft e Bonassi. Diretor artístico da La Vaca Cia de Artes Cênicas, junto a qual dirigiu “Mi Muñequita”, “Kassandra”, e “Uz”, além de atuar em “Le Frigô” e “Ilusões”.
FICHA TÉCNICA:
Direção artística, texto e performance: Renato Turnes. Assistência de criação: Karin Serafin. Iluminação e projeções: Hedra Rockenbach. Edição de vídeos: Marco Martins. Imagens VHS: Carlos Eduardo Valente e Dominique Fretin. Figurinos e máscara: Karin Serafin. Trilha sonora original: Hedra Rockenbach. Arte gráfica: Daniel Olivetto. Fotos: Cristiano Prim. Assessoria de Imprensa RJ: Mônica Riani Produção: Milena Moraes. Realização: La Vaca Companhia de Artes Cênicas. Artistas provocadores: Anderson do Carmo, Vicente Concilio, Fabio Hostert e Max Reinert. A partir das memórias de: Carlos Eduardo Valente, Celso Curi, José Ronaldo, Julio Rosa, Eduardo Fraga, Luis Baron, Tony Alano, Paulinho Gouvêa, Wladimir Soares. Acervos pessoais gentilmente cedidos pelos entrevistados. Apoio: Rumos Itaú Cultural e Sesc.
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 14 anos.
Duração: 50 minutos
Lotação: 40 lugares