A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no Brasil o Leqembi (lecanemabe), primeiro medicamento capaz de desacelerar a progressão da Doença de Alzheimer.
A aprovação representa um marco no tratamento da enfermidade por atuar sobre uma das causas subjacentes da doença, e não apenas no controle temporário dos sintomas.
O medicamento é um anticorpo monoclonal desenvolvido para remover o acúmulo de placas da proteína beta-amiloide no cérebro. A redução desses agregados está associada à preservação da integridade dos neurônios e à diminuição do ritmo do declínio cognitivo e funcional em pacientes com Alzheimer em estágio inicial.
Indicação restrita e aplicação
O Leqembi é indicado para pessoas diagnosticadas nas fases iniciais do Alzheimer, incluindo casos de comprometimento cognitivo leve ou demência leve.
O tratamento é realizado por meio de infusões intravenosas a cada duas semanas, em ambiente assistencial. A indicação e o acompanhamento médico são necessários para avaliar os critérios de elegibilidade e a segurança do tratamento.
Apesar da importância da aprovação para a comunidade médica e científica, o custo é um dos principais desafios para ampliar o acesso ao medicamento. Com a incidência de tributações, o tratamento pode ultrapassar R$ 11 mil por mês, segundo estimativas divulgadas.
O valor coloca em discussão a viabilidade financeira da terapia e também futuras discussões sobre sua eventual incorporação à rede pública do Sistema Único de Saúde (SUS).
A aprovação do Leqembi abre uma nova perspectiva para o tratamento do Alzheimer, especialmente para pacientes diagnosticados precocemente, ao mesmo tempo em que coloca em pauta questões relacionadas ao custo, à infraestrutura necessária para a aplicação e à ampliação do acesso à terapia.
Fonte: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Jornal da USP.