As apostas online se consolidaram como um dos fenômenos de maior crescimento no Brasil nos últimos anos, mas especialistas alertam para os impactos econômicos e sociais provocados pela expansão do setor.
Em artigo publicado na Folha de Pernambuco, o estatístico Gauss M. Cordeiro, professor emérito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), defende que a matemática demonstra que, no longo prazo, os apostadores tendem a perder dinheiro enquanto as casas de apostas acumulam lucros.
Segundo o pesquisador, essa dinâmica está diretamente relacionada ao chamado Teorema da Ruína do Jogador, conceito matemático que indica que a repetição das apostas favorece sistematicamente as empresas do setor. Para ele, a única forma de reduzir perdas em jogos de azar seria evitar a prática recorrente, já que a probabilidade trabalha contra o apostador.
O artigo destaca que o mercado brasileiro passou por uma transformação significativa após a legalização das apostas esportivas. A regulamentação da atividade, combinada à popularização dos smartphones e à facilidade das transações por Pix, impulsionou o crescimento acelerado das plataformas digitais.
De acordo com o professor, o Brasil já ocupa a posição de quinto maior mercado de apostas online do mundo, movimentando cerca de R$ 30 bilhões por mês. O avanço do setor tem provocado mudanças no padrão de consumo de muitas famílias, especialmente entre as camadas de menor renda, que acabam direcionando parte do orçamento para apostas em detrimento de despesas consideradas essenciais.
Além dos efeitos financeiros, Gauss M. Cordeiro chama atenção para os riscos à saúde pública. O ciclo contínuo das apostas pode levar à ludopatia, transtorno reconhecido pela medicina como dependência comportamental. A condição está associada a alterações no sistema de recompensa do cérebro, além de problemas como insônia e quadros de depressão.
Fonte: Academia Brasileira de Ciências