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  • Estudante de baixa renda, autodidata em inglês, consegue bolsa em Harvard, Yale e Stanford

    Da Redação em 07 de Junho de 2022    Informar erro
    Estudante de baixa renda e bolsista de uma escola particular em Belo Horizonte, Sofia Santos de Oliveira, 18, foi aprovada em três das mais conceituadas universidades do mundo: Harvard, Stanford e Yale.
     
    Filha de um vigilante e de uma acompanhante de inclusão, a estudante mineira foi contemplada com três bolsas de estudos nas mais tradicionais universidades americanas.
     
    A jovem, que visitou recentemente os Estados Unidos, decidiu cursar o ensino superior em Harvard -a seu ver, a instituição possui mais conexões com o Brasil.
     
    Sofia conseguiu bolsa de estudos integral, que cobre gastos com mensalidade, moradia, alimentação, materiais e despesas pessoais, comprovando com documentos a necessidade de obter o auxílio.
     
    Estudar no exterior era um sonho de infância de Sofia. Nem mesmo as dificuldades financeiras enfrentadas pela família fizeram com que a jovem desistisse da ideia.
     
    “É a concretização de um sonho de muitos anos. É um misto de emoção e alegria ver que o esforço de tanto tempo está sendo, agora, recompensado”, disse a primeira universitária da família.
     
    Sofia conta que nos anos iniciais do ensino fundamental estudou em uma escola do Serviço Social da Indústria (Sesi). Ela recebia uma bolsa de estudos, porque seu pai trabalhava na empresa siderúrgica Belgo Mineira conveniada com a instituição. Quando o pai perdeu o emprego, ela precisou mudar para uma escola municipal, próximo de sua casa.
     
    “Eu sabia que ia ter menos oportunidades, mas não deixei isso me abalar, continuei estudando. Inclusive, nessa época era para eu ter começado um curso de inglês, era o sonho dos meus pais me colocar em um curso, mas também não deu, porque meu pai foi demitido. Então, eu comecei a estudar sozinha mesmo, do jeito que dava”, conta Sofia.
     
    Autodidata, ela aprendeu a falar e a escrever inglês nas horas vagas, quando cursava o 6º ano. Hoje, fluente na língua estrangeira, costuma dar aulas de reforço para quem não tem condições de bancar cursinhos.
     
    Quando estava terminando o ensino fundamental, ela conheceu o Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos (Ismart), uma ONG que oferece bolsas de estudo para jovens de baixa renda em escolas conceituadas. O instituto atua em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, São José dos Campos, Cotia e Sorocaba.
     
    Sofia se candidatou a uma bolsa e foi aprovada para cursar o ensino médio no Colégio Santo Antônio, um dos mais reconhecidos da capital mineira.
     
    “Lá eu percebi que tinha condições para conseguir o que eu queria. Continuei estudando, fiz Olimpíadas, fiz pesquisa, fiz alguns intercâmbios online por causa da pandemia e muitos projetos sociais também. Sempre gostei de estudar, então era um prazer”, diz ela.
     
    Sofia conta que o processo de inscrição em uma universidade americana é bem diferente em comparação do de instituições brasileiras. Segundo ela, o colégio e os professores a apoiaram durante as inscrições com tudo que era necessário.
     
    “O processo é mais holístico, então, tive que fazer redações contando a minha história de vida, tive que fazer entrevistas, enviar cartas de recomendação dos meus professores e o meu currículo com as coisas que eu fiz ao longo do ensino médio”, diz a jovem.
     
    Outra diferença em relação às universidades brasileiras é a escolha do curso. Enquanto no Brasil os estudantes já são selecionados para um curso específico, nos EUA essa escolha acontece após a aprovação.
     
    “Nós somos aprovados para uma faculdade e lá a gente escolhe o curso. Tem até o final do segundo ano para escolher. No momento, eu falei que eu tinha interesse em dois cursos, química e ciências sociais, mas ainda não é nada definitivo. Só no final do segundo ano que eu vou decidir”, afirma Sofia.
     
    Após os resultados positivos, a jovem teve a oportunidade de visitar duas das universidades em que foi aprovada. Segundo ela, conhecer as instituições foi bom para ter mais proximidade com professores e futuros colegas.
     
    Sofia diz acreditar no potencial da educação para transformar a vida das pessoas. Ela afirma que essa é uma das motivações para construir uma carreira nessa área no futuro. Uma de suas principais inspirações é o educador Paulo Freire.
     
    De acordo com a jovem, a ansiedade já é grande devido à aproximação da viagem. Ela embarcará no dia 14 de agosto, e as aulas terão início no começo de setembro.
     
    “É muita ansiedade e muita correria para organizar tudo. Tem também um pouco de melancolia, estou tentando aproveitar esses últimos meses com a minha família e com meus amigos. Mas, acima de tudo, estou muito feliz pela conquista, é uma sensação de dever cumprido, de ver que um sonho de muitos anos está se concretizando”, afirma a jovem.
     
    Inspiração para os pais
    A dedicação de Sofia aos estudos motivou os pais a voltarem para os bancos da escola. O pai,Elias Cândido dos Santos, 50, conclui neste ano o curso técnico de enfermagem e a mãe, Luciene Soares de Oliveira, 53, está se preparando para fazer o vestibular para o curso de pedagogia.
     
    Luciene conta que, até então, não pensava nessa possibilidade por dedicar todo o seu tempo à família e às atividades do lar. “Agora que não tenho mais a quem paparicar, vou me empenhar, seguir uma nova carreira. Afinal, nunca é tarde para realizar o sonho de ter um diploma”, diz.
     
    Elias lembra que a filha sempre mostrou inclinação para os estudos. “Ela sempre se destacou nas olimpíadas culturais das escolas. Ficava sempre entre os três primeiros colocados nas competições”, diz. “Quando criança costumava rabiscar e escrever nas paredes da casa toda. A gente chegava a esconder as canetinhas dela, mas ela continuava assim mesmo, usando a tinta das folhas espremidas”.
     
    Fonte: Folhapress e Correio Braziliense


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