Natural de Campos, Délcio Carvalho desde cedo se interessou pela música. Ao se mudar para o Rio de Janeiro chegou a ser cronner de cabaré e a participar de programas de calouros. Em 1968, sua primeira composição, Pingo de Felicidade, foi gravada por Christiane. Seu maior sucesso foi o samba Sonho Meu, com Dona Ivone Lara, de 1978. A parceria com a artista dura até hoje sendo uma das mais importantes da MPB. Como compositor é autor de mais de 200 músicas, gravadas por cantores como Clara Nunes, Beth Carvalho, Gal Costa, Maria Bethânia e Zeca Pagodinho.
Em entrevista exclusiva ao Bafafá On Line, Délcio Carvalho fala sobre vários temas: início de carreira, samba, bossa nova e a gravação de seu primeiro DVD. “Tem músicas que estarei cantando pela primeira vez e composições que o público, de uma maneira geral, não sabe que são minhas”.
Quando começou a se interessar pela música?
Desde a infância, meu pai era músico da Lira de Apolo, de Campos, e me obrigou a aprender música. Só que eu comecei a cantar e fazer música. Aí, peguei o violão e saí por aí... No final eu larguei o violão e fiquei só cantando e compondo.
Naquela época, ser sambista era meio marginal?
Nunca fui perseguido como os antigos compositores de samba. Eu sou sambista porque sou brasileiro e fazer samba é nosso prazer, está no sangue, mas na verdade eu sou compositor porque não faço só samba, pois faço qualquer gênero musical por prazer e por profissão.
O que mais serve de inspiração em suas letras?
A vida. Quando falta a inspiração eu pego meu gravador, entro no metrô e vou para um subúrbio qualquer, entro num bar, que eu conheço todos, e vou ouvindo a música e compondo. Na verdade, nunca houve falta de inspiração.
Concorda que o amor inspira o samba?
Tudo, em nossa vida, tem que ter amor. Em qualquer profissão se você não fizer com amor, você fracassa.
Qual é a fórmula para compor um bom samba?
Você tem que treinar sempre, se exercitar, até chegar à perfeição, que nunca se chega. Você sempre corre atrás da perfeição.
O que está achando do resgate do samba?
O samba agoniza mas não morre (Nelson Sargento)
Gosta de ver a garotada tocar?
Claro que gosto, não tenho a menor dúvida. E o sinal que a vida não vai acabar, a música (o samba) vai continuar.
E a bossa nova? Ainda é elitista?
A bossa nova é uma vertente do samba. Um pouco elitista, sim, mas tem conteúdo popular. Haja vista que João Gilberto resgata obras primas da nossa música puramente popular.
O que acha da revitalização da Lapa e da Gamboa?
Da Lapa, da Gamboa, da Praça Tiradentes, de Niterói, do Brasil...
Quem faz o melhor samba no Rio de Janeiro?
Cada um tem seu estilo. Eu, por exemplo, acho que faço um samba bem feito, seguindo uma linha própria, sem copiar ninguém. Obedecendo o ritmo e a cadência do samba.
Tem alguma utopia?
Gravar minhas músicas inéditas, que ainda são muitas.
Junho de 2008.