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  • José Saramago:

    Agenda Bafafá em 22 de Maio de 2016    Informar erro
    O português José Saramago, prêmio Nobel de Literatura, retornou a Cuba para lançar seu novo livro “O Evangelho segundo Jesus Cristo”. Em entrevista ao jornal Juventud Rebelde, Saramago garante que foi mal compreendido quando no início do ano teceu críticas ao regime de Fidel Castro. “O que importa é que estou aqui, que sou amigo de Cuba e que a manipulação mediática não me tira o sono. Tenho outras coisas que me tiram o sono”, assinala o Nobel.
    José Saramago garante estar impressionado com o avanço da medicina em Cuba, apesar do bloqueio econômico. O escritor confirma também que não pisa nos Estados Unidos. “Não vou nem para receber prêmios, nem doutor Honoris Causa nem para lançamentos de livros. Não estou disposto a ser humilhado pela polícia dos Estados Unidos. A fisionomia fascista dos Estados Unidos hoje é bastante completa. O que antes seria objetivo mais ou menos disfarçado hoje está aí com toda clareza e toda rotundidade. Está claríssimo que os Estados Unidos estão se preparando para a Terceira Guerra Mundial, provavelmente contra a China”, assegura o escritor.

    Bom, comecemos então por um exercício de memória: Quando o senhor se dá conta de que Cuba existe neste mundo?
    Durante a invasão da Bahía dos Porcos, Playa Girón em abril de 1961. Eu não morava em Lisboa, e sim num povoado que está muito próximo. Ia e vinha de trem, e recordo com uma nitidez extraordinária a leitura de um periódico de Portugal que anunciava a invasão como um triunfo dos inimigos da Revolução. Tinha uma manchete de página inteira e descrevia o ocorrido, não com muitos detalhes - lembra que era um tempo em Portugal dos presídios, da censura-. Chocou-me profundamente o tom de triunfalismo que o periódico exibia. No dia seguinte senti um prazer quase maligno quando o periódico não teve mais remédio que dizer que a tentativa de invasão tinha fracassado.

    Dessa etapa é também sua recordação de Che, que descreveu num artigo publicado em Cuba não faz muito: "A Portugal infeliz e amordaçado de Salazar e de Caetano, chegou um dia o retrato clandestino de Ernesto Guevara".
    Esse retrato chegou e nos comoveu a todos... Existia uma esquerda ativa, séria e trabalhadora que o viu como uma referência. E também havia, por cima, ou por baixo, como se queira entender, uma esquerda que podemos chamar de intelectual que às vezes com boa fé convertia Che numa especie de ícone. Isso ocorreu muito menos entre gente da classe operária, que desde então chamávamos de esquerda afetiva, que no fundo seguiram Che e a Revolução Cubana como se fossem modas. Não quer dizer que não havia aí inclusive alguma ou muita sinceridade, porém também havia um pouco de oportunismo.
    Quando o tempo passou e Che tinha morrido, e as coisas se normalizaram de alguma forma, a esquerda deixou de parecer a muita gente essa espécie de aurora, de algo que iluminava todo o espaço. Foi então quando escrevi que o retrato de Che desapareceu da parede e em alguns casos se jogou no lixo.  Esse texto é ao mesmo tempo uma homenagem a Che Guevara, e também, um olhar irônico sobre a instabilidade das ideologias, em que por vezes se dá mais valor ao superficial que ao profundo".  

    O senhor também dizia nesse artigo que aquele "era o retrato da dignidade suprema do ser humano".
    Sim, sim, é isso sem dúvida. E para muitíssima gente... Não estou dizendo que a figura de Che para essas pessoas tivesse perdido importância. Era a vida que tinha mudado. Eles mesmos se viram mudados e sem demasiadas idéias progressistas. E, portanto, o retrato de Che Guevara deixou de representar para eles o que representava antes. Cansaram-se e no lugar de Che, puseram outra coisa. Se pudéssemos falar com eles, estou seguro de que não teriam nenhuma dúvida em reconhecer que se houve uma pessoa nos tempos recentes que deram ao mundo um exemplo de dignidade, um ideal realmente supremo, esse foi Che Guevara. E o melhor de tudo é que a gente também se encontra continuamente com meninos e meninas que sabem tudo o que há que saber sobre a vida e sobre as ações de Che Guevara, e que vestem sua camiseta, mas de coração. Recordo quando li pela primeira vez O conto da ilha desconhecida, uma formosa parábola da viagem do indivíduo para dentro de si mesmo, em direção aos demais, em direção à ilha em que vivemos. O que teria Saramago descoberto nesses dias nesta Ilha desconhecida, mentida, satanizada, que é Cuba?  
    Depois dos conflitos que provocaram -como se sabe - uma reação minha, não muito tempo depois tive oportunidade de assinar um documento defendendo Cuba. Porém mais tarde fiquei com a impressão de que talvez Cuba já não me quisesse, e que a culpa -se de culpa se pode falar- é minha, porque fui eu quem disse "não estou de acordo, etcétera, etcétera. Quer dizer, eu pensava: Cuba não é algo alheio a minha própria vida, aos meus próprios sentimentos, entretanto seguramente Cuba já não me quer...
    A partir de certo momento começaram a chegar sinais que desmentiam essas dúvidas - conversações com a embaixadora em Madri, Isabel Allende e outras mensagens que chegavam. E eu dizia: bem, as coisas afinal não se perderam, não se romperam, e eu fiquei aguardando. Para vir aqui, como é lógico, tinha de ter um motivo e chegou o convite.
    Viemos para cá depois de estar no Canadá, e temos recebido Pilar e eu a amizade de sempre, e talvez um pouco mais. Não quer dizer com mais amizade, e sim como se aqueles que aqui nos receberam tivessem a preocupação de dizer: “te queremos bem, te estamos expressando esse querer nosso de uma forma talvez maior, não pense que persistem pequenos rancores”. Ninguém me disse isto, porém a gente sente. Tudo se recompôs, apesar de que aquilo que disse então, com muita dor e sem querer romper definitivamente com Cuba, foi celebrado, manipulado, usado. Depois se deram conta que as coisas não iam como queriam e começaram a surgir versões: Saramago está outra vez com Cuba e não sei mais o quê. Enfim, o que importa é que estou aqui, que sou amigo de Cuba e que a manipulação mediática não me tira o sono. Tenho outras coisas que me tiram o sono.

    Em abril o senhor assinou o apelo de intelectuais do mundo que denunciou as manobras dos Estados Unidos contra Cuba em Genebra. Aí se dizia que "os EUA não têm autoridade moral para erigir-se em juiz dos direitos humanos em Cuba". O que viu nesses dias corrobora essa afirmação?
    Absolutamente. Desta vez nós tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais. Estivemos em dois lugares muito importantes: a Universidade das Ciências Informáticas (UCI) e a Escola Latino-americana de Medicina (ELAM). Na Universidade de Ciências Informáticas houve um momento em que me emocionei muito. Os meninos me contaram que aí se recebe pessoas que vêm da Venezuela com catarata, retinose, e que cuidam deles, que às vezes chega um avô e um neto cegos, e que regressaram a seu país olhando-se um ao outro, dizendo um ou outro: “Eu sou teu avô, e posso vê-lo', e o neto: “Avô, agora sim posso vê-lo”. Estas coisas tocam diretamente o coração da gente. Que isso aconteça é maravilhoso. Poderia dizer que é tema para outro Ensaio sobre a cegueira.
    No entanto, havia uma espécie de contradição que não é tanta assim. Estávamos na Universidade de Ciências Informáticas, e isso parte de um principio obviamente  equivocado, que onde se estuda tais coisas não pode ocorrer algo que tem a ver com os sentimentos, com a compaixão, com a solidariedade. Uma universidade de informática supõe algo muito frio, e neste caso não é assim... 
    Tive dois descolamentos de retina e duas cataratas. Sei muito bem o que é isto. Se me tivesse acontecido no começo do século passado, estaria cego. E sei que muita gente está cega e que poderiam deixar de estar se muitos países mais fizessem o que Cuba faz.
    Neste caso, a Operação Milagre me parece uma denominação justa. Não no sentido de que o que ocorre seja obra de uma intervenção sobrenatural, não; nada mais natural... O que ocorre é que para estes venezuelanos e para muitos outros latino-americanos -me disseram este ano serão operados mais de 100 000 - que não tinham nenhuma esperança de recuperar a visão, quando a recuperam, são eles mesmos que o entendem como milagre. Portanto, creio que quem batizou essa operação com o nome de Operação Milagre, fez muito bem.

    E o que aconteceu na Escola Latino-americana de Ciências Médicas?
    Uma emoção de outra natureza. Ali vi meninos e meninas, mais meninas que meninos -parece que há 51 por cento de mulheres - de toda América Latina, da África, inclusive dos Estados Unidos, inseridos em algo concreto, não numa teoria, ou qualquer coisa que tivesse a ver com uma utopia futura impossível de realizar. E tudo isto é feito por um só país, que estabelece uma corrente distinta de comunicação entre os povos da América Latina, capaz de encontrar objetivos comuns, de trabalhar unidos para chegar a eles. E outra coisa curiosa: tanto na ELAM como na escola de Ciências Informáticas vimos espetáculos preparados pelos próprios estudantes, onde os que dançam, dançam muito bem; os que cantam, cantam muito bem; os que tocam, tocam muito bem, e essas coisas não se encontram facilmente. A acolhida que nos deram foi inesquecível. A gente chorava abraçando esses meninos.

    O senhor falava na Universidade de Habana que Cuba havia tornado possível a internacionalização da solidariedade ...
    Isso é incrível. O mais puro, o mais autêntico, o mais desinteressado movimento de solidariedade nasce precisamente em um dos países mais desprotegidos, mais pobres, que é ao mesmo tempo como uma espécie de foco que irradia solidariedade de una forma natural, espontânea, como se tivesse de ser uma conseqüência lógica de tudo o que aqui ocorre. Toda vez que há um movimento de solidariedade internacionalista começa em Cuba e vai à Venezuela, vai e já foi à África, ao Haiti. Não é necessário convocar a população cubana a um referendo para ver si estão de acordo o não em ir à Venezuela, ou ao Haiti, ou onde quer que seja, porque é justo; é como se este povo fosse solidário por natureza, ou melhor por educação, por algo aprendido, porque a solidariedade também se aprende.
    Não somente não se fala disso, tampouco de algo que Noam Chomsky disse e repetiu muitas vezes, com toda a razão: "Cuba é provavelmente o alvo de mais terrorismo de todos os países do mundo".
    Há coisas que são óbvias, contudo ninguém se quer dar conta de que o são. Porém quando alguém enxerga o óbvio e o mostra e o explica, então, o óbvio passa para uma dimensão completamente distinta. Os fatos estão aí para demonstrar que efetivamente Cuba, ou pelo menos a Cuba que nasceu com a Revolução, não foi nunca um país que possa ser acusado de qualquer forma de terrorismo.
    Há una ação diabolizante, sistemática, por todos os meios possíveis, da estrutura de poder no mundo, para ocultar essa verdade evidente que Chomsky resgatou. Pelo que se diz reiteradamente parece que o mundo não tem outro problema que Cuba, quando esta Ilha não é seguramente um dos países que mais preocupações trazem aos habitantes deste planeta. É exatamente o contrário. Cuba não é, e não foi jamais um país de onde tenha saído uma ação terrorista. Coisa que os Estados Unidos não pode dizer.
    O caso de Posada Carriles, como o de Bin Laden, é paradigmático. Os monstros da CIA terminaram praticando alegremente o que aprenderam de seus mestres.
    Estados Unidos está tratando de impedir que Posada Carriles fale. Se o mandarem à Venezuela - e eu não estou nada seguro que o extraditem -, se bem que gostaria, claro. No entanto se cumprirem o que estabelece suas leis terão de extraditá-lo.
    Quando ocorreu o caso de Elián, não tiveram outro remédio que cumpri-la. Porém, nesse caso não havia no meio planos de terrorismo. Elián era apenas um menino que estava onde não devia estar e passou a estar onde, efetivamente, devia estar. Posada é outra coisa. A mim não me surpreenderia nada que se a situação se complica, se a pressão internacional atua sobre os Estados Unidos para que cumpra a lei, apareça um "louco" e o mate, no momento em que o terrorista esteja indo de um lugar a outro. Não seria a primeira vez que ali se passaria. Tudo pode acontecer.

    É importante ter em conta que este caso não está isolado dos fatos que estão ocorrendo no continente. Por exemplo, da decisão da Argentina de anular as duas leis que consagravam a impunidade dos crimes da ditadura militar. Podemos ter esperanças de que isto possa gerar um movimento pela justiça?
    Creio que sim. É uma revolução que este país tenha decidido revogar essas leis que tinham por intenção ignorar que há na Argentina muitíssimos criminosos impunes, inclusive ativos no exército. O transcendente é que isto não vai ficar limitado às fronteiras da Argentina. Outros países da região passaram por situações similares e vai ser muito difícil que diante desse exemplo, as instituições, os partidos e os cidadãos desses outros países permaneçam indiferentes ante a nova atitude da Argentina. Vivemos num mundo que não tem consciência de si mesmo e se alguma vez se toma, e assim parece, é muito difícil que na América Latina isto não seja o princípio de uma onda, uma onda que de alguma forma possa varrer os criminosos todo o continente. Incluídos os criminosos como Posada Carriles.
    No obstante, enquanto isso ocorre, o Pentágono acaba de anunciar que não somente não vai fechar os campos de tortura ao estilo do de Guantânamo, mas também que os vai ampliar. Guantânamo não é o único centro de torturas norte-americano e alguns deles seguramente foram ampliados sem que os Estados Unidos se sentissem na necessidade de anunciá-lo. Entretanto, é um mau sinal e evidentemente um mau indício apesar de alguma resistência nos meios de comunicação norte-americanos. Há vozes débeis, muito débeis, como a do outro dia no The New York Times, que pediu que se feche esse cárcere".

    O senhor crê que haverá algo depois dessa travessia no deserto?
    A situação é muito grave, contudo algo se pode fazer ainda. No entanto, sem utopias. Estive em Porto Alegre, no Fórum Social Mundial e decidi levar ali algo que me preocupa há anos e anos: a utopia. Se eu pudesse, apagaria não somente das análises, mas também da mente das pessoas o conceito de utopia. Não era uma provocação. A utopia fez mais dano à esquerda que benefício; em primeiro lugar, porque não é algo que se pode esperar ver realizado em vida, não; se põe aí no futuro, num lugar que não se sabe nem onde nem quando será. Uma utopia é um conjunto de articulações, de necessidades, de desejos, de ilusões, de sonhos. Se a pessoa é consciente de que não o pode realizar no tempo em que vive, que sentido tem. Como é que podemos ter a certeza de que 150 anos depois, quando nenhum daqueles que construiu essa utopia estará vivo, as pessoas terão algum interesse num projeto que não é seu, que pertence a um passado?
    Seguir falando de utopia como um instrumento, digamos do ideário, da ideologia da esquerda, me parece um atentado contra a lógica e o sentido comum. Tenho isso muito claro.
    Depois de expor tudo isto, lhes dizia: no entanto, eu posso propor a todos vocês uma utopia, agora mesmo e essa utopia se chama simplesmente, amanhã, amanhã; porque amanhã todos podemos pensar que estaremos vivos ainda e o que tenhamos feito hoje, terá conseqüências. Portanto, acabemos com a utopia que não nos vai servir para nada. Abaixo a utopia.

    Algo que os meios de comunicação não publicam é sua decisão de não viajar nem receber nenhum prêmio dos Estados Unidos.
    Nem prêmio, nem doutor Honoris Causa nem lançamentos de livros. Não estou disposto a ser humilhado pela polícia dos Estados Unidos. É certo que eu poderia colocar-me em outra postura, que seria razoável. Eu poderia dizer que haja o que houver a polícia dos Estados Unidos, não pode humilhar-me. Não é uma reação de mau humor, é um conjunto de coisas. A fisionomia fascista dos Estados Unidos hoje é bastante completa. O que antes seria objetivo mais ou menos disfarçado hoje está aí com toda clareza e toda rotundidade.
    Está claríssimo que os Estados Unidos estão se preparando para a Terceira Guerra Mundial, provavelmente contra a China. No Uzbequistão já existem bases norte-americanas. Minha esperança é que a opinião pública mundial, que às vezes é uma coisa muito abstrata, consiga algo similar ao que se passou com o Vietnã, que parou a guerra. Despertar um grande movimento na opinião pública que freie o fascismo é algo possível, se as pessoas acedam a pensar que com seu vizinho podem fazer algo.

    Na Venezuela o senhor disse que "a ousadia deste país pode trazer mudanças significativas na história". Que tipo de mudanças?
    Na história do continente americano. É evidente que a região já começou a mudar de uma maneira que ainda não muito clara. Na América Latina está se passando algo e isso nos permite pensar que este início de mudança pode ir muito mais adiante e muito mais fundo. É o caso da Venezuela, Argentina, Chile, Bolívia, Brasil, Uruguai. Se esses países, e também o nosso se ajudarem, colaborarem uns com os outros, não começarem a colocar os interesses particulares acima dos interesses da América Latina, veremos o despertar de Bolívar e de outros que olharam a América como um todo.

    Hugo Chávez fala de um socialismo do século XXI, que se parece muitíssimo ao que o senhor também tem defendido: "o socialismo do espírito". Crê que o futuro andará por aí?
    Sim, sim. Veja, é que se as coisas não passam pelo espírito, por muito exitosas que tenham, sido em outro campo, não têm sentido. Faz quase dois anos integrei um grupo com o então presidente da União Européia, Romano Prodi, que me havia encarregado de refletir sobre o que devia ser o futuro do homem. Elaboramos um documento muito sério que agora deve estar numa gaveta onde alguém que não sabe nada do assunto irá mergulhar. Prodi se reuniu conosco - umas 15 ou 16 pessoas - havia historiadores, grandes economistas e o único escritor era eu. Prodi começou aquele encontro dizendo: "A Europa fracassou e fracassou por quê? Porque nós nos equivocamos, pensamos que integrando a economia, o restante viria por acréscimo e nos damos conta que não, que há que se voltar à política. Voltar-se à política não é, em si mesmo, uma recomendação. Trata-se de ir ao espírito. Se não passamos todos os assuntos pelo espírito, não há nenhuma garantia de que as mudanças passem por nós.
    Recordo que com a derrubada da União Soviética, todo o mundo se perguntava: Onde está o homem novo? Quê é que se passou? Não existiu nem existiria num modelo como esse. Se não mudarmos, não nos mudamos, ou seja se não mudarmos de vida, no mudamos a vida. Quando digo mudar de vida, não é deixar de ser pedreiro e passar a ser médico. Não é isso. Há que se mudar a forma de entender o mundo. O mundo necessita ação; porém não se chega à ação sem que isso tenha sido elaborado pelo espírito. Um dos grandes males que existe em nossa época, é que não temos idéias e parece que os políticos -e agora falo dos políticos de esquerda-, não se dão conta de uma realidade: a direita não necessita de idéias, contudo a esquerda não irá a nenhuma parte se não as tem. Esse é o problema.

    Julho 2005

    Entrevista concedida a Miriam Elizalde, do jornal Juventud Rebelde (Cuba)

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